“A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam.”
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Auguste Rodin
a fala aflora à flor da boca
às vezes como fogos de artifício
fulguração contra os terrores do silêncio
só espada espavento espelho
ou pedra ficção arremessada
ou canção pra cantar as graças as virilhas as maravilhas da amada
a deusa idolatrada de amor:
essa outra voz quase jazz que subjaz ventríloqua de si mesma
viva sempre a paixão que me consome sempre paixão a que me consome viva paixão a que me consome sempre viva sempre viva a paixão que me consome que me consome sempre a paixão viva que sempre a paixão viva me consome
uma palavra não é uma flor uma flor é seu perfume e seu emblema o signo convertido em coisa-imã imanência em flor: inflorescência uma flor é uma flor é uma flor (de onde talvez decorra
o prestígio poético das flores
com seus latins latifoliados
na boca do botânico amador) a palavra, não: é só florilégio ficção pura, crime contra a natura por exemplo, a palavra amor
Geraldo Carneiro
Geraldo Carneiro nasceu em Belo Horizonte, 11 de junho de 1952. É poeta, letrista e roteirista brasileiro. Reside no Rio de Janeiro desde 1955. Geraldo Carneiro ficou conhecido como compositor desde o final dos anos 60, por suas parcerias com o compositor Eduardo Souto Neto, que foram gravadas por diversos intérpretes, dentre as quais a canção “Choro de Nada”, gravada por Vinicius de Moraes e Toquinho, e por Antonio Carlos Jobim e Miúcha.
Como poeta, participou ativamente da geração de poetas da chamada “poesia marginal” (da qual sempre se considerou marginal), tendo estreado em livro quando ainda estudante de Letras na PUC-RJ, em 1974, ao lado dos poetas Cacaso, Francisco Alvim, João Carlos Pádua e Roberto Schwarz, pela coleção Frenesi, à qual o poeta deu nome, inspirado num filme de Hitchcock. Publicou posteriormente os livros Verão Vagabundo, Piquenique em Xanadu, Folias Metafísicas, Por Mares Nunca Dantes, Lira dos Cinquent’anos e Balada do Impostor.
Publicou os livros de prosa Vinicius de Moraes: a Fala da Paixão e Leblon: a Crônica dos Anos Loucos.
Traduziu sonetos de William Shakespeare, na coletânea Sonhos da Insônia.
Na música, foi parceiro de Egberto Gismonti, Astor Piazzolla, Francis Hime, Wagner Tiso, John Neschling, Nando Carneiro e outros compositores, cujas músicas foram gravadas por diversos intérpretes importantes dentro da música brasileira.
Para o teatro escreveu Lola Moreno, parceria com Bráulio Pedroso,Folias do Coração e Apenas Bons Amigos, parceria com Miguel Falabella, Divina Increnca e a Iluminada.
Traduziu A Tempestade, de W. Shakespeare, adaptou Como Gostais, além de Lúcia McCartney, de Rubem Fonseca 1987, Lulu, de Frank Wedekind e As 1001 Noites. Do mesmo Shakespeare, traduziu ainda Antonio e Cleópatra e Trabalhos de Amor Perdidos.
Como roteirista, escreveu Sônia: Morta & Viva, de Sérgio Waissman, Eternamente Pagu (em parceria com Márcia de Almeida), O Judeu (em parceria com Millor Fernandes). Para a TV, adaptou diversas obras literárias para a série Brasil Especial (entre as quais O Santo que não acreditava em Deus, depois refilmada por Cacá Diegues como Deus é Brasileiro, A Desinibida do Grajaú, Lúcia McCartney e O Compadre de Ogum), escreveu as minisséries Tudo em Cima e O Sorriso do Lagarto.
Participou da criação do programa Tamanho Família e da série Você Decide, da qual foi supervisor de texto. Escreve a série para TV Faça sua História em parceria com João Ubaldo Ribeiro.
Não tendo podido te criar Nem tendo sido criado por ti Eu me vingo do destino enxertando-me no teu ser. Jamais conseguirás te libertar de mim Porque eu te sitiei com a chama do amor, Porque rondei durante dias e noites o Coração de Deus A fim de extrair dele o segredo da ternura. Todos os que te olham pensam logo em mim, Todos os que me olham pensam logo em ti. Eu sou tua cicatriz que nunca se há de fechar. Eu te perseguirei até depois da minha morte E virei a ti no murmúrio dos ventos, no lamento das ondas, Na angústia e na alegria dos poetas meus sucessores, Nas almas grandes limitadas pelo físico. Sentado nas nuvens eternas eu te esperarei E me nutrirei através dos tempos da nostalgia de ti.
Mulher Ora opaca ora translúcida
Submarina ou vegetal
Assumes todas as formas,
Desposas o movimento.
Sinal de contradição Posto um dia neste mundo
Tu és o quinto elemento
Agregado pelo poeta
Que te ama e te assimila
E é bebido por ti.
Tu és na verdade, mulher,
Construção e destruição.
Antigo aluno da escola de Belas Artes, Jean-Claude Desplanques se consagra na pintura depois de 1960. Nascido na Normandia em 1936, apaixonou-se pelo desenho com a idade de oito anos. Suas criaturas míticas, seus personagens misteriosos e sublimes nos mergulham em seu universo pictórico rico e fantástico, muitas vezes teatral, onde a beleza reina.
Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de ametista, os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações. A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos. Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda. Eu morro sufocado em terra estrangeira. Nossas flores são mais bonitas nossas frutas mais gostosas mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade e ouvir um sabiá com certidão de idade!
Murilo Mendes In: MENDES, Murilo. Poesias, 1925/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1959
Murilo Monteiro Mendes, nasceu dia 13 de maio de 1901, em Juiz Fora, Minas Gerais. Aos nove anos diz ter tido uma revelação poética ao assistir a passagem do cometa Halley. Em 1917, uma nova revelação: fugiu do colégio em Niterói para assistir, no Rio de Janeiro, às apresentações do bailarino Nijinski. Muda-se definitivamente para o Rio em 1920. Os anos de 1924 a 1929 foram dedicados à formação cultural e à luta contra a instabilidade profissional. Foi arquivista no Ministério da Fazenda e funcionário do Banco Mercantil. Nesse período publica poemas em revistas modernistas como "Verde" e "Revista de Antropofagia". Seu primeiro livro, "Poemas", é publicado em 1930. É agraciado com o Prêmio Graça Aranha. Converte-se ao catolicismo em 1934. Torna-se inspetor de ensino em 1935. Em 1940, conhece Maria da Saudade Cortesão, com quem se casaria em 1947. De 1953 a 1955 percorreu diversos países da Europa, divulgando, em conferências, a cultura brasileira. Em 1957, se estabeleceu em Roma, onde lecionou Literatura Brasileira. Faleceu, em Lisboa, Portugal, em 13 de agosto de 1975, e deixou inéditas várias obras.
Deram-me um corpo, só um! Para suportar calado Tantas almas desunidas Que esbarram umas nas outras, De tantas idades diversas; Uma nasceu muito antes De eu aparecer no mundo, Outra nasceu com este corpo, Outra está nascendo agora, Há outras, nem sei direito, São minhas filhas naturais, Deliram dentro de mim, Querem mudar de lugar, Cada uma quer uma coisa, Nunca mais tenho sossego. Ó Deus, se existis, juntai Minhas almas desencontradas.
O mar não me quer, O mar não sei por que me abomina, O mar autárquico: Ele me atira barbatanas e algas podres, Destroços de manequins e papéis velhos, Arrastando para longe barco e sereia. O mar tem idéias singulares sobre mim, Manda-me recados insolentes Em garrafas há muito esquecidas e sujas. Suprime de repente o veleiro de 1752 Que vinha beirando o cais.
Suprime o veleiro e um bando de fantasmas - Eu bem sei - Únicos, polidos, um quase nada solenes. Não tolero mais este safado, Nem mesmo o admito no outro mundo: Felizmente a eternidade é límpida, Sem praia e sem lamentos. Hei de espiá-lo da Grande rosácea, Hei de vê-lo um dia lá embaixo,
Inútil: espremida esponja, carcaça de canoa, Avesso de fotografia.
A madrugada de amor do primeiro homem
O retrato da minha mãe com um ano de idade O filme descritivo do meu nascimento
A tarde da morte da última mulher O desabamento das montanhas, o estancar dos rios
O descerrar das cortinas da eternidade O encontro com Eva penteando os cabelos
O aperto de mão aos meus ascendentes O fim da idéia de propriedade, carne, tempo
E a permanência no absoluto e no imutável.
Minha proposta, ao criar este espaço, é conviver com pessoas que, como eu, apreciam e se nutrem na boa arte. Juntar, a cada sessão de postagens, um artista plástico e um poeta, emoldurados por uma música envolvente, é uma forma de estimular os sentidos. Todos os dias precisamos nos alimentar e descansar. A arte nos ajuda nisso e refina nosso espírito. Sou filósofa por formação acadêmica e me agrada muito a estética da arte. A Fada do Mar Suave, como título, é uma personagem que me permite ficar no mundo dos sonhos, e não precisa ser relacionada com a imagem física de uma pessoa.
A Fada do Mar Suave circula pelo Orkut há bem uns dez anos e este blog surgiu em janeiro de 2009. Formalmente, o site WWW.fadadomarsuave.com.br se encarrega de sustentar o registro legal do nome e, de forma prática, reendereça todos os visitantes para este blog, http://fadasuave.blogspot.com . Não tenho equipe, trabalho sozinha e quem quiser fazer qualquer observação, é só deixar mensagem.
Agradeço aos artistas e poetas, que autorizam nossas postagens.
Com amor,
Fada do Mar Suave
São Paulo, SP, Brasil
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