Sergio Niculitcheff



 





 
 

Sem entender...


Pudera eu entender...
a carícia de brisa de presenças ,
que não vejo, pouco ou nada quase sei,
de mim também não sabem,
Somos...e só...Só?
Algo de eterno, carentes,
alma insiste, fala,
musicalmente...
E quando tudo parece se esvanecer,
esta delicada harmonia,
casa com o entardecer...
MINHA BEM AMADA TARDE,
transcende de amor premente
àquele que vive só...
Submerge em sol poente...
Do que somos ,
ouro em pó...
O melhor
de nós...




Gaiô.

Sergio Niculitcheff



 

 

 

  


Insaciável ser.


Ferida viva a vida
gasta em desejos,
podres poderes dispersos,
imensuráveis quereres,
contida no mar diverso
do insaciável ser...imerso.
Um coração rasgado,
de ansiedade dilacerado.
Expecta a consciência,
toda a demência, adere
retalhada em carência
dói na razão,
carne exposta, alma e pele
de toda essa vastidão...



Gaiô.


Sergio Niculitcheff



 

 

 

 


Teimosia.


Tem dia que a pobreza é tanta,
que chega a doer...
Olhar embaçado,
de escuridão,
insiste em se refazer.
Percorre em desalinho todo e qualquer desatino.
Coisas do destino...
E desvela sonhos idealizados,
quase sempre dourados
pra encantar seus dias.
E no desencanto, outro tanto,
de perdidas alegrias,
sem fantasia e pranto.
Sente e regurgita a clareza de toda torpeza
que fere, pra não vomitar a beleza
mesmo dura, feia e triste...que queria.
Desfaz-se em desilusão...
E não desiste...
Teimoso, insiste.



Gaiô.


Sergio Niculitcheff



 

 

 

 


Murmúrios da Língua.


Uma fala e um sentimento, despertos.
Te reverencio, ó Nome!
Te dignifico! Feliz!
O universo fala! Pressinto o que a língua diz
Sons inaudíveis ao mundo,
vida secreta murmura
ritmos, rimas ritmadas ao coração
sonante, dissonante, possíveis,
poéticos poemas dilui ruídos,
resíduos despertam em segredo o mistério.
À borda das coisas visíveis,
desperta o espírito,
Textura e tensão da presença,
faz toda a diferença...
Eis o NOME!
Adentremos
a palavra
ESSÊNCIA!


Gaiô.


Sergio Niculitcheff



 

 

 

 



Multi faces da Percepção...



Fora do quadro, não se enquadra a harmonia no todo
que primeiro unifico visualmente.
E prudente, observo a arquitetura
corrompida de equilíbrio,
assimétrico universo...já não meço.
Me rendo ao Belo, à perfeição
desfigurada da vida-magia que tanto queria.
Des-enquadrada, não me perco,
Sou soma em torrentes de poesia.
Respeitado, preservado,
quero os seres desta terra
onde o ar se junta ao fogo, mar,
céu e terra faz a ponte no horizonte
de nós mesmos,
Ganho asas, transcendência pro divino.
Faz silêncio, emudece o anoitecer.
Se entrega...entristece...
Faz-se amor...pulsa a vida
mesmo pulsando na dor.


Gaiô.


Sergio Niculitcheff



 

 

 

 


Aprendendo...




Fecha pro dia o olhar da noite.
Vencido de luz se recosta, se solta,
do fio de cabelo à ponta do dedo.
O que pensa enrola
em novelos, condensa
a tristeza, de estrela a esperança,
na dança da paz...
Esvanece o tecido de vida,
perdido no aqui.
Dorme no agora...aprendendo
o repouso primeiro se faz,
dentro de si...




Gaiô.



Sergio Niculitcheff



 

 

 

 


Espia, vigia...


Espia...Alerta, vigia...
Horas não minhas só...
De todos, tudo que em mim,
dentro, por um momento,
Ouço...
O que de fora vem...quase tudo contém.
E sinto...sentinela nela sente,
Na vida, que de contida, espia e cresce
Se enobrece...Acontece!!!
Faço a dança da coragem,
no que olho, vejo pontes,
palco invento, enceno a vida
tantos sonhos no cenário
que do céu caiu e brinca
chuva e mel, derrama estrelas,
sai voando...pisa o chão...
De tudo, de tão bonito, do aflito
faz-se encanto...
Soçobro...
Durmo...




Gaiô.

Sergio Niculitcheff



 

 

 

 


Wishes...


Ó desconhecido ser que te habita!
Seja ao menos, plausível ser!
que caiba em vontade querida,
cabendo em desejos,
que falem daquilo que se pode ser...
Caiba na transparência toda eloquência que brilhe
na impermanência possível, o poder
de um querer que queira, não entorpeça, ou envenene...
Só queira...pra alem da dor, do sofrer...desejos... prazer de ser
No templo da vida o abrigo sagrado, nada seguro
Mesmo no escuro, faça o caminho...desejos de luz...



Gaiô.

Sergio Niculitcheff



***

É NATAL!


Busco o céu com pés fincados,
Enraizados, firme chão.
É Natal confia o vento,
que contente faz canção.
Céu celebra, acende a terra!
E me deixo iluminar em gratidão
Pela estrela-guia-o homem,
Transcende em comunhão, todo irmão.

Um Menino rompe a luz,
faz a síntese, se aninha ao coração.
Brilha a noite, faz-se dia,
Pai-Nosso, Ave-Maria,
Nosso Deus, Cheia de graça,
Magnificat! À multidão.

Tece, acolhe, colo terno,
Flui materna em bendição.
Todo o mundo, mãos unidas
No Pão Nosso em cada dia,
Faz a dança circular, germina a vida.

Glória a Deus, toda energia,
Que em matéria viva vibra!
Cantam anjos nas alturas.

Sopra tênue paz que busco,
Paz na terra, tão difícil,
Busco alto a integração na esperança,
Boa vontade, faz-se AMOR,
Todo homem é uma criança.

Gaiô.
***