Pino (Giuseppe Dangelico)






Me acontecia...


Me acontecia o efêmero
que contemplasse o dia
em ecos de eterna idade...
Silentes almas murmurantes,
águas-sede, ventos precursores
de nova era...
essências
de amores outros,
novos jeitos de humanidade.
Brotos de compaixão se abrindo
em caridade.
Ternura doce,
uníssonas vozes tecidas
de novo canto
me acontecia...

Gaiô


Pino (Giuseppe Dangelico)

 

  

  

 

 

  

 

Somos...


O som...o sol...o céu...o sal...
gerados no ar...movem...
musical molecular de idéias,
doce sentir viajante,
peregrino da luz,
entremeando nuances
que se esbarram em sintonia
e que a alma alivia...
Sentimento latente,
aflora o sagrado, aglutina,
dor e paz...poesia...
Transcende...e salva
da melancolia,
a sombra...a falta...
O que interpõe,
o bem e o mal,
o que frustra e acalma.
Placidez triste,
etérea e real.
A graça,
sutil fio, leve, profunda
perpassa...
Mares, fronteiras
sem eira nem beira
corações congregam
semeadores longínquos,
se unem em rede
de esperanças...
Nem sempre tudo alcança.
Nada me perturbe...
Nada me espante...
Bonança Somos...


Gaiô

Pino (Giuseppe Dangelico)

 
A pintura do artista italiano Pino Daeni nos leva a sentimentos de calor, nostalgia, amor e família. Seus quadros são frequentemente focados em imagens vibrantemente ensolaradas do Mediterrâneo, onde ele foi criado. Pino (nascido Giuseppe Dangelico) é notado por sua excepcional habilidade em capturar expressões e movimentos, um talento que atraiu para sua obra uma admiração internacional.
O alter ego de Pino, um jovem cercado por belas mulheres (suas irmãs, tias e primas) é encontrado em vários estágios de emoção, da adoração ao isolamento. Muitos de seus personagens são frequentemente retratados em ambientes sensuais ou quartos de vestir, como que antecipando maridos ou amantes.
Formado na Itália, no Instituto de Arte de Bari, e mais tarde na Academia de Brera de Milão, Pino aperfeiçoou suas técnicas de pintura nua e estudos figura fortemente influenciada pelo pré-rafaelitas e Macchiaioli.
Depois de estabelecer-se como um artista de sucesso em sua terra natal, Pino imigrou para os Estados Unidos, buscando mais liberdade artística e de oportunidade. Logo foi descoberto pela Borghi Gallery, que deu várias exposições para ele em Nova York e Boston.
Pino ilustrou 3.000 livros, o seu estilo dominou o mercado.

Giuseppe Dangelico Pino



  

  

  

  

  

Fala ESSÊNCIA!!!


Ultrapasse os ditames da aparência.
Revele onde se esconde o Belo,
Longe! Pra além da existência.

Espírito em presença, revelado à matéria,
Fala Belo!!! desvela a alma,
na transparente pureza
do corpo espiritual,
que ultrapasse a simetria,
fiel, à grega proporção.

Façamos a cosmo-ética,
que faz o bem, o bom
da pessoa o puro e o belo,
presença do inteligível uno,
a lente dos olhos, o coração.

Faz da verdadeira estética,
a Ética, da cosmética,
a cosmo-ética,
COSMOVISÃO!

Gaiô


 Cida Gaiofatto

Sobre mim.



......Em compasso de silêncios, entremeando acasos, destinos e destinação, vou indo e vindo, no outro, na vida, em busca de mim...
Já me vale a sensação de estar aqui a cada instante, sem definições precisas, pois que nada sou a não ser a luz e a escuridão que se alternam na busca do ser... no estar...aqui...em qualquer lugar...
Educadora aposentada, cidadã paulista de Ribeirão Preto, S.P., três filhas e João, meu grande incentivador, de modo a ir em busca de mim mesma através da expressão artística. Pedagoga pós-graduada me trouxe ao mundo sensível das Artes Visuais cuja formação me despertou ao desenho  e pintura, escultura com as quais participei de várias exposições e premiações enquanto cursava a faculdade. Entretanto a educadora e mãe, impossibilitada de perseverar nesta busca, acabou se afastando da participação ativa das atividades pertinentes às expressões plásticas, a não ser no exercício de artista da vida no convívio familiar. Complementando, textos poéticos sempre acompanharam suas Artes e aposentada, se viu envolvida, mergulhada na poesia que a tem fascinado. Participou da Antologia Mar de Versos, Ed. Pensata, tendo saído faz pouco, a publicação da Antologia Poética - Volume I - "Vozes da Alma".




Pino (Giuseppe Dangelico)

 

  

  

  

  

 
Da Água.



Água... verde azulada...
Irmanada de luz, líquidas eras
de longa data, embriaga meu ser
de energia me envolve e seduz.
Soberana, impera
na imensidão
perdida de mim,
de onde vim?
E mergulhada, nunca nela,
espasmos fluidos emergem,
desbravam em torpor,
busca ar, bem estar, luz e calor,
amor, solitário brilho,
despido de orgulho, de tudo,
à procura da sombra e da luz.
O agora se expande...
Longo e vasto olhar consciente
de solidão perscrutante,
todo o ser se acerca de si,
só, etérea voz fala
o silêncio do despertar.
Na quietude das ondas,
quebradas em salpicos quentes,
ondulam pensamentos
em longos fios de cabelos.
Se emaranham, se arranham,
se alisam intuindo a graça,
a bendição sobre as águas.
Tudo olha, vê, sente e comunga.
Celebra a água, grávida de paz,
aconchego abraça,
deságua em mim...
por fim...

Gaiô


Pino (Giuseppe Dangelico)

 

  

  

  

  

 

  

  

Murmúrios da Língua.


Uma fala e um sentimento, despertos.
Te reverencio, ó Nome!
Expressa o universo o reverso.
Te dignifico feliz!

Pressinto tua língua
de afetos, delicada ternura
Sons inaudíveis ao mundo.

Vida secreta vielas murmura,
ritmos, ritmadas rimas
no coração celebradas,
sonante, dissonante, possíveis.

Poéticos poemas dilui ruídos,
resíduos despertam em segredo o mistério.
À borda das coisas visíveis,
desperta o espírito...
Textura e tensão da presença,
faz toda a diferença...

Eis o NOME!
Adentremos
a palavra
ESSÊNCIA!


Gaiô

Pino (Giuseppe Dangelico)

 

  

  

  

 


Amor plural.


Ah! generosa vida dia
de calmas horas...pianos cantos...
Fala tua luz em paisagens mansas
que meu olhar alcança,
e de emoção chora.
Coração celebra auroras
no abandono de ecos de mim mesma.
Também me olha...e ora.
Suavizo toque de almas,
delicados espasmos sorriem
em serenas águas.
Vibram auras...
Toco meu ser sendo,  irreal,
transmutado de amor.
Me encontro, te abraço plural,
em singular paz
me dôo...


Gaiô

Pino (Giuseppe Dangelico)

 

  

  

  

  

 
Ansiedade.


Exausto e vazio, escorre a energia em rio.
Torpor, sofrimento e dor...
Tudo leva, soçobrando os dias,
se perde em derrota a rotina.


Espreita a ansiedade,
vigilante da noite que dorme,
se afoga em sufoco, se consome...
Portas, janelas, sem saídas pra mente
se em espírito descrente...

E a alma, do natural se perde
do simples, tal e qual, em fuga aniquila
qualquer pluma que leve oscila,
levita, derruba em lágrima...o AMOR....


Gaiô


Pino (Giuseppe Dangelico)

 


 
  
  

Nada Perfeita


Perdido de si, ia o homem
Na imperfeição de ser, se abatia.
Do vulnerável, a cama fazia, em sofrimento que o acolhia.
Inúmeras tramas, anomalias tantas
em dor tecidas, insanas, sem cor, vazias...

Ó jornada que prolonga em desdita a vida!
Tudo pode acontecer!
Se longa, coração de pedra se instala.
Na dor a cautela reserva o direito
de estar fora da arena, se isola sem fala.
Nada perfeita, nada serena...
E se fecha.Se recolhe...cala.

Um útero a abraça, sofre, quase desiste e expulsa.
Medita! Se envolve! Dá de cara com a mudança! Criança!

A verdade a assusta e desinstala.
Cai na graça que de colo a acolhe in,
Se encontra, viaja dentro de si
na bonança, que a rouba do fracasso,
Constrói pontes, que ao amor o leve...
Passo a passo...se conhece...


Gaiô


Pino (Giuseppe Dangelico)

 
  
  

  

  


Anseio de Integração.


Silêncio...
Lúgubre e fragmentado mundo,
sensações de isolamento...
Sonho vestido de ares bisonhos
se recolhe à argila do coração...

Ressoa sonoro, em busca de ecos
de eternidade...à mão.
Na fonte, onde era conhecido,
buscava ser incluído, protegido.

Se fazia em saudade no abraço,
refúgio do invisível círculo,
roda da integração.
Espasmos irmanados...
Prenúncios de liberdade,
e criação...
Hóspede da vida,
mesmo que temporária,
Anseio de integração.


Gaiô


Pino (Giuseppe Dangelico)


 

 
  
  
  


Tomando Posse.


Conhecer, saber de mim,
desafio de aceitar, servir
o diferente no SER...Estar.
O mundo, eu e você
Tão profundo!
Quantos por quês...
Quantos eus!?

O que faço com o que trago
de genética herdada,
bem e mal, tantos traços,
abençoado outro tanto.
Rastros que me devoram,
acobertam, aprisionam,
sacrossanta liberdade,
que procuro...quero tanto
mesmo em disparidade.
Mesmo escuro, vou à luta!
Mais um passo...
Tomo posse
No que faço...

Gaiô