Sergio Lucena








O mistério é a saúde da alma




Existo...Estou...Sou...

E de suposta rotina,

Construo o viver...dia a dia.

Em cada olhar, a percepção do imensurável,

Estranhas, reais e ilusórias formas

Que contém o vazio...

Do mundo, dos seres, de você, de mim...

Você e eu somos um em você e eu.

Saio de mim, olho de fora,

Percebo como percebo,

Penso que sei o que não sei.

Tudo trazemos e sabemos.

Perscruto em sondagens etéricas que não vejo

Mas sinto, adentrando universo perdido,

No imaginário, inconsciente que trago e vivo

No coletivo??????Sei de onde vim.

E desvelo mundos pressentidos,

Que aos poucos se revelam,

Consciência ampliada

Em clareiras conhecidas, visitadas...

De lampejo, quase vejo em desejo:

Abrem-se portas, janelas escancaradas

Dantes ignoradas.

Não explico, nem questiono, só percebo,

Minha alma vê uma luz, sonha e insiste,

Vê e sente: sei quem é? Nada sei ...

Me deslumbra, em assombros,

Onde estou? Quem eu sou?

Junto em rede, suscetível transparência,

Inspirando , expirando, respirando busco enlevos,

Ilusões que se desmancham, fluidificam, quase escorrem.

No mistério estranho espaço, indago, sofro,

Busco, fecho, faço a síntese,

Aberta ao novo mistério

Da espiral que ascendente....acende o fogo, brisa leve

Evolui volátil o ar, impressões que vão e vem...




Gaiô

10/2008



Sergio Lucena







Descompasso do mundo.

O Grito.



E no descompasso do mundo,

sobram idéias no inútil perdidas.

Meu delicado é inadequado

ao outro tocar, só de olhar....

Verso, Inverso, reverso se encaram,

Quem é quem não se sabe, em compasso

perdido no tempo, no espaço

do indiferenciado.

Tudo igual, tão comum...tão normal...

O quadrado enquadrado controla a mente,

distorce demente o real animal.

Não desisto do primordial.

Consisto e insisto na assimetria

do caos criativo que engloba o ser.

E organizo,

integro processos internos.

E a hora é agora, se faz ruptura

no descompasso que escapa à esfera.

E nela, na esfera, um grito se ouve,

do ovo que quebra, e a casca se rompe em fera,

Do escuro, eu quero sair!

Faço o céu, faço a terra,

diferenciação

do homem nas trevas, na guerra

que chora poesia perdida, ferida

no elo que escorre em vazio

de nada sentido fazer ou sentir.

E no desamparo de ser,

irrompe o caos,

algo novo está pra nascer

Na desordem de ser ou não ser,

na insustentável leveza de ser.



Gaiô.



Sergio Lucena








Olhos são Pontes

Olhos de tudo ver.



Meus olhos não são só olhos.

São pontes que tudo vêm.

São olhos que se alastraram

pra serem multiplicados

no jeito do mundo olhar,

tudo querendo ver.

São olhos de estranhos seres,

são olhos do desencanto

perdida ilusão no pranto.

São olhos dos filhos meus

que quero compreender.

São olhos dos descontentes,

são olhos dos realizados

dos desnaturados,

descrentes por mais não ver.

Se de tudo vejo um pouco

nos olhos que tudo são

em busca da alteridade,

quero ver o amor crescer

nos olhos de tudo ver,

usando para este fim,

os olhos do coração,

sem a razão de ser,

sem a razão perder....



Gaiô.