Martín La Spina







autorretrato



Zonza de azuis. (Variação)



Inserção no tempo,
viaja imaginação
de verdes ares.
Adesão de azuis, sensações
não as via...
Viajantes de sonhos
sem explicação...poesia.

Inconsciente mar, profundas águas esquecidas,
pálidas algas azuladas, viração.
No céu, memória amalgamada de abismos
voláteis áuras, etéreos azuis- fantasia,
dançantes inspirações, ar puro,
água límpida, vapor gotejante,
coroando a luz que permeia o infinito...

Toques, retoques turquesas,
tocam madeira pálida, metal e vidro.
Azuis-celestes, tons lavados, aguados,
pintados de hortência, cerúleo.

Zonza de azuis...
Cai a noite em marinho, roxos,
beaujolais...
Horizontes de sonhos ,
enternecem
novo encontro.
Mistério e Fé.


Gaiô


Martín La Spina










Sintonia/Sinfonia.



Um elo unia em sincronia
delicados tecidos de sombras/luz.
Se irmanavam almas,
em uníssonas horas de en-cantar
calmas,
o ir embora,
noite afora...
Sintonia...
Sinfonia.


Gaiô.


Martín La Spina









Corpo-Templo-Graça.



Que alma é essa de espasmos,
movimento alado, âmago profundo
de mim mesmo vislumbro,
me olho lá no fundo,
toco intimidade em sussurros.

Pudera eu dela entender,
cada mergulho que faço,
lúcido, delicados passos,
intervalo suspenso,
suspiro viajante,
indagando mundos.

Colóquio de entendimento,
corpo-templo-graça,
sou saudade de mim-vida,
prece intuída,
ensaio-anseio-silente
de paz....peço.


Gaiô

                                           

Martín La Spina







Jeff Neugebauer






Jeff Neugebauer








Sonhos em ti


Sonho em sua face clara
Vontade de pegar seus cabelos da noite
Amarrar-me nos belos seios que sustenta
Acariciar o seu pescoço de cristal
Morder os seus pés vermelhos
Protegê-la contra o vento sujo
Tatuar minha mão em suas torres sempre firmes
Desejo lhe afastar do mundo dos mortos
Cair sobre a sua boca molhada
Confundir-me com as partes do seu corpo nu
Deslizar sobre ele minhas pequenas mãos
Voar em meio às nuvens da chuva azul que cai
Esquivar junto contigo dos que a invejam no mundo dos vivos
Colocar-me à frente do tiro certo e da bala perdida
Da fala invejosa verde e sádica
E da língua acesa daqueles que nada tem a perder
Queria estar sempre ao seu lado
Ouvir o seu sono e lhe acordar para o seu café
Sentir que sou e faço parte de sua alma branca
Mesmo que para isso seja preciso morrer e ficar quieto no meio do seu espírito que, por vezes, me esforço por ser.



Lúcio A. Barros

Jeff Neugebauer

Jeff Neugebauer

Jeff Neugebauer desenha e pinta desde criança e cultiva essa paixão por toda sua vida. Seguindo as técnicas florentinas da Renascença, incorporou o conhecimento dos grandes mestres em seu trabalho. Antes de passar a pintar em tempo integral, Neugebauer inovou com as técnicas da tecnologia multimídia a partir de 1990, aplicando sua criatividade e talento para produzir obras com auxílio do computador, como animações e CD-roms interativos, levando sua empresa, a Spiral West, a uma posição de liderança, atendendo clientes como Time Warner, Wells Fargo, Intel e Netscape.
Jeff Neugebauer desenvolveu sua técnica e maestria pelo estudo de mestres renascentistas como Leonardo Da Vinci, Raphael e Caravaggio. Integrando conceitos e técnicas modernas com essas técnicas, as pinturas de Neugebauer são similares ao trabalho alegórico do mestre contemporâneo Odd Nerdrum. “Ravens Follow Men Into War” é um profundo e provocativo autorretrato, tratando das batalhas em nossas vidas.















A arte de voar


Voando ela pensou estar
Bateu forte na vidraça dura da vida
Não percebeu a perversa engenharia humana
Do seu último ato escutei somente o barulho seco
Seu corpo já estava apelo chão
Nenhum movimento
Dele saia no bico um fino fio de sangue
Olhos fechados, pescoço ainda mole...
Agora ela pode voar em paz.


Lúcio Alves de Barros

Poeta

Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte/MG – Brasil


* Lúcio Alves de Barros é licenciado e bacharel em
Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia e doutor
em Ciências Humanas: Sociologia e Política pela UFMG.
É autor do livro “Fordismo: origens e metamorfoses”.
Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP (Universidade Metodista
de Piracicaba), 2004, organizador do livro
“Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006,
co-autor do livro de poesias, “Das emoções frágeis e efêmeras”.
Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006 e organizador da obra
“Mulher, política e sociedade”. Brumadinho: Ed. ASA, 2009.

Lúcio Alves de Barros

Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2009
 Código do texto: T1808312

 

Jeff Neugebauer







Chocolates

Ela é mais que isso

em tempos de Páscoa

creio estar longe do pecado em pensar que nela

encontro uma pele macia de chocolate branco

em sua boca carnuda e grande um chocolate de leite

sua testa é alva

e o chocolate colorido é o gosto que ela tem

quando deita em mim sinto o chocolate em cobertura

e quando nos estranhamos sinto o beijo do chocolate amargo

depois minhas lágrimas caem como chocolate em pó

e quando meio-amargo nos amamos debaixo do chuveiro

até que sua pele novamente fique branca, tal como o chocolate de outrora.


Lúcio Alves de Barros