




Tudo é dor
A bela lua cheia de ontem foi incapaz de tirá-la de minha cabeça
Latente ela continuou maltratando o meu olhar triste para as estrelas
Cansei delas
Apaguei as luzes
Fiquei quieto
Não adiantou
Levantei e fui andar
Tirá-la da cabeça é difícil e complexo
Tenho tentando
Esforçado
Chego a arrancar cabelos
Arranhar a pele
Morder os dedos do pé
Abrir as narinas
Unhas já não tenho
Os dentes estão gastos
Minha garganta seca quando penso nela
Ou seria ela pensando em mim?
Fico quieto após uma longa e suada caminhada
A serotonina não ajudou
A dopamina passou longe
Espinhos estão em minha espinha
Agulhas de duas pontas estão no interior do meu cérebro
Algo aperta meus testículos
Embrulharam o meu estômago para presente
Furando os meus olhos estão milhares de fantasmas
Tudo é dor
Novamente ela está na minha cabeça
Avança em minha alma
Bate com força no meu espírito
Sinto calafrios enormes
Palavras aparecem como vômitos
Vejo as coisas pela metade
Adagas brancas batem em minha face lúgubre
Andei rápido para casa
Fechei as portas
Apaguei todas as luzes
Desliguei os telefones
Pensei em quebrar a televisão
Molhei minha cabeça com água gelada
Enchi o estômago de remédios de quinta
Me misturei em panos e cobertores
Nem assim
Mesmo (quase) adormecendo ela não abandona a minha cabeça
Ela...
Essa danada da dor de cabeça
A desgraçada da enxaqueca.
Inverno de 09/07/2009
Lúcio Alves de Barros
Código do texto: T1692901
3 comentários:
lindo blog e muito bom gosto
beijos querida
fátima queiroz
Doeu de tanta beleza esta poesia que é muito intensa. Grande poeta Lúcio Alves de Barros e estas mulheres são um explendor.
Acertou Fada do Mar pela intensa beleza que passa este blog.
Lúcio suas poesias são magníficas, mas esta em especial tocou-me profundamente. Amei o seu jeito de escrever. A arte de Hoje postada também é uma poesia.
Parabéns!
Ana
Postar um comentário