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Pierre-Auguste Renoir









A Boneca





Deixando a bola e a peteca,

Com que inda há pouco brincavam,

Por causa de uma boneca,

Duas meninas brigavam.





Dizia a primeira: "É minha!"

— "É minha!" a outra gritava;

E nenhuma se continha,

Nem a boneca largava.






Quem mais sofria (coitada!)

Era a boneca. Já tinha

Toda a roupa estraçalhada,

E amarrotada a carinha.






Tanto puxaram por ela,

Que a pobre rasgou-se ao meio,

Perdendo a estopa amarela

Que lhe formava o recheio.






E, ao fim de tanta fadiga,

Voltando à bola e à peteca,

Ambas, por causa da briga,

Ficaram sem a boneca . . .




Olavo Bilac

Pierre-Auguste Renoir


O Universo
(Paráfrase)

A Lua:




Sou um pequeno mundo;

Movo-me, rolo e danço

Por este céu profundo;

Por sorte Deus me deu

Mover-me sem descanso,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.


A Terra:



Eu sou esse outro mundo;

A lua me acompanha,

Por este céu profundo . . .

Mas é destino meu

Rolar, assim tamanha,

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.


O Sol:



Eu sou esse outro mundo,

Eu sou o sol ardente!

Dou luz ao céu profundo . . .

Porém, sou um pigmeu,

Quer rolo eternamente

Em torno de outro mundo,

Que inda é maior do que eu.


O Homem:



Por que, no céu profundo,

Não há-de parar mais

O vosso movimento?

Astros! qual é o mundo,

Em torno ao qual rodais

Por esse firmamento?


Todos os Astros:





Não chega o teu estudo

Ao centro disso tudo,

Que escapa aos olhos teus!

O centro disso tudo,

Homem vaidoso, é Deus!



Olavo Bilac