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Asokan Nanniyode




"A poesia é uma forma de produção. Dificílima, complexíssima, porém produção."

"Sem forma revolucionária não há arte revolucionária."

"Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas."

"Traduzir poemas é tarefa difícil, especialmente os meus.
Uma outra razão da dificuldade da tradução de meus versos vem de que introduzo nos versos a linguagem quotidiana, falada...
Tais versos só são compreensíveis e só têm graça se sente o sistema geral da língua, e são quase intraduzíveis, como jogos de palavras."

“O século 30 vencerá.! Ressuscita-me para que ninguém mais tenha que sacrificar-se por uma casa, um buraco. Ressuscita-me para que o pai seja ao menos o Universo e a Mãe, no mínimo a Terra.”

Vladimir Maiakovski



Asokan Nanniyode




Deus, que será de ti quando eu morrer?
Eu sou teu cântaro (e se me romper?)
A tua água (e se me corromper?)
Sou teu agasalho, teu afazer.
Vai comigo o significado teu.

Vladimir Maiakovski


Asokan Nanniyode






...nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,

e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho

Vladimir Maiakovski


Asokan Nanniyode




Dedução



Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.

Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos

e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Maiakovski


Asokan Nanniyode






A FLAUTA-VÉRTEBRA


A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e
celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.

Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.

De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras


Maiakovski