Martín La Spina










Só intuir, perceber.



Nem precisa entender
Só intuir, perceber.
Recriar universo interior,
paisagens etéreas,
retratos viajantes
escalam via láctea só dele,
mergulho no instante.Paira.

Por efêmero que seja,
gritam feito loucos
acordando caminhos, que eu saiba,
nunca feitos pelos outros.

Desperta! Recria! Renova!
Brilha chama que ilumina, baila,
buraco negro de sombras,
longínquas luzes disfarçadas
do que foi...

Orgásticas horas felizes,
ingênua pobreza amparada
iludida, o habitava.
Vida tão querida...
Nem precisa entender.
Só intuir, perceber...


Gaiô

Martín La Spina







SurReal ?


Se assemelha ao esquisito, surreal
bonito universo contido do que hoje é meu.
E por aí vai...vamos...também o teu.
Estranho, navega o livre formato do que já nasce feito,
à dúvida e à loucura tem direito.
Sonhos absurdos que veem à distância,
realidade tanta urge, reinventar o humano.

À mesa se unem silêncios,
celebram real comunhão
No desiludido chão-solidão.

Na sala, decorada de ilusão, se eleva, escala caules,
galhos paredes de braços abertos, pousam aves,
assistem televisão...zonzos ruídos da comunicação
Cala...

Abajures iluminam quarto dependurado.
Se dorme, de estrela apagada, vazia,
perscruta saídas, nada normal,
viaja na cauda de sonhos que embalam
canção de ninar sussurrada, universal...

Dialoga com a alma das coisas,
desperta a magia, imaginação,
onde todos sonham o irreal
de amar fantasia. Poesia???

Com a chave do coração
abre o que silencia e acalma.
Devaneio.
Alça vôo...
na criação.


Gaiô

Martín La Spina











Doce Pauta.


Doces cerejas a pauta pontuam.
Vermelhinhas,
paralelas, cinco linhas
bem fininhas,
em varais que
só se buscam,
não se encontram.

Mínimas, semínimas,
Se olham , se enamoram
em delicada fantasia.
Semifusas, fusas,
piscam pra clave de Fá,
se iluminam com o Sol,
compondo com o bemol.

Sintonia de alma fina,
canta suave a melodia,
encantada de poesia.
O perigo é escorregar!
Pode desafinar!
Ré, Si, Mi, Si, Fa...
La, li, ri, li, la, rá...

Gaiô

Martín La Spina









Só.


Só.
Quando se vê,
se foi...
Se vê só.
Como se surpreendido
no olhar fosse,
do que rola e sente,
pra si não mente.
E só...
se toca, tateia...
De estar,
o vazio vê.
Clareia...
Tudo se foi,
pra só ser,
como nunca fora,
Só...
Será?

Gaiô

Martín La Spina










As mãos.


Tantos olhos de ver...
De tudo que trago em mim.
Revisito o olhar, não me canso,
De o detalhar, no foco do essencial,
sensibilizar, as mãos tocar,
Juntas, vertem o coração.

Delicadas ou não, enrugadas,
desde sempre servem...
Vida abraçada, acarinhada,
de comer dá, ampara,
em beber se derrama...esperança.
Consola aflitos, corações aturdidos,
em toques de acolhimento e colo.
Gratas, celebram graças,
enxugam lágrimas,
por tudo que em bendição
recebem e doam,
Se machucam, desavisadas,
desastradas assumem, mesmo que doa.

Tempo em que se escrevia,
cartas, bilhetes, segredos
revelados de emoção.
Criativas mãos!
Tanta satisfação!...
Suavam, só de pensar,
falando de expectativas,
toda ansiedade em esperar...

Sustentam por longo tempo
toda a fidelidade,
prometida ao pé do altar,
plenas de felicidade.
Sagrado momento,
na aliança do casamento.
Trêmulas mãos,
amor testemunhado em grandeza,
especial desafio,
de conviver, renovar, recomeçar,
Toda a beleza...

Ressequidas, enrugadas,
trazem memórias,
quanta história!
Tantas vidas reunidas,
como agora, guardadas,
de amorosa convivência,
cuidados e experiência...
Sempre as uno em oração,
sensíveis ao coração,
junto a todas possíveis mãos...

Desde o tempo de minha avó,
avanço em sabedoria,
Seja de dor e alegria.
Juntando de unicidade,
de mãos dadas com a vida,
sendo ou não,
Poesia!


Gaiô

Martín La Spina







autorretrato



Zonza de azuis. (Variação)



Inserção no tempo,
viaja imaginação
de verdes ares.
Adesão de azuis, sensações
não as via...
Viajantes de sonhos
sem explicação...poesia.

Inconsciente mar, profundas águas esquecidas,
pálidas algas azuladas, viração.
No céu, memória amalgamada de abismos
voláteis áuras, etéreos azuis- fantasia,
dançantes inspirações, ar puro,
água límpida, vapor gotejante,
coroando a luz que permeia o infinito...

Toques, retoques turquesas,
tocam madeira pálida, metal e vidro.
Azuis-celestes, tons lavados, aguados,
pintados de hortência, cerúleo.

Zonza de azuis...
Cai a noite em marinho, roxos,
beaujolais...
Horizontes de sonhos ,
enternecem
novo encontro.
Mistério e Fé.


Gaiô


Martín La Spina










Sintonia/Sinfonia.



Um elo unia em sincronia
delicados tecidos de sombras/luz.
Se irmanavam almas,
em uníssonas horas de en-cantar
calmas,
o ir embora,
noite afora...
Sintonia...
Sinfonia.


Gaiô.


Martín La Spina









Corpo-Templo-Graça.



Que alma é essa de espasmos,
movimento alado, âmago profundo
de mim mesmo vislumbro,
me olho lá no fundo,
toco intimidade em sussurros.

Pudera eu dela entender,
cada mergulho que faço,
lúcido, delicados passos,
intervalo suspenso,
suspiro viajante,
indagando mundos.

Colóquio de entendimento,
corpo-templo-graça,
sou saudade de mim-vida,
prece intuída,
ensaio-anseio-silente
de paz....peço.


Gaiô

                                           

Martín La Spina