René Magritte




René Magritte



Menina engaiolada.



Você sabe, né,
da menina engaiolada
que perdeu de si o centro
que concerne à realidade.
Agarrada ao seu bichinho
que a protege de si mesma,
fecha os olhos, se recolhe,
se encolhe ao coração.
Fantasia a liberdade
de um barquinho de papel,
foge ao largo, busca o fundo,
num mergulho escuridão,
que perdido, errou o rumo,
foi ao céu...
o barquinho de papel.
E voou em pensamento
no lugar do passarinho
que a acompanha de mansinho
lá de fora da gaiola.
Num colinho transcendente,
que a aconchega com o olhar,
Traz-lhe a paz de uma paisagem
que ficou em outra estória,
na memória,
Sabe-se lá...
Sabe-se lá...
Sabe-se lá...



Gaiô

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René Magritte











Caixinha de Sonhos.




Quando do instante,
edificante,
momento parado no ar despertou,
o sonho acordado se fez.
Silenciou...
Um som...monossilábico,
uníssonas vozes,
sonoras na alma que evoca...
desde sempre,
um tempo... Um grito?
aflito? escondido?
de paz recolhida?
Toques leves, fluídas ondas,
curtas, longas, melancólicas,
tangem sinos
em frequência iluminada,
que ecoa, se espalha.
Sintonia de almas breves,
arabescos fantasias
ritmados, vão e vem te envolvendo,
circulares rodopios que arrepiam
toques leves musicais,
tira a alma do lugar,
de onde expecta
pra bailar...




Gaiô.

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René Magritte





EM BUSCA DE SI MESMO.



Espreite os muros da consciência, os limiares do que és...
Se de menos...ausculte os medos, a coragem por fazer.
Se de mais , segure o freio.De ser livre te permeias
em sustentável expressão...criação e bem querer.
O que a vida te oferece em serena poesia,
de contida até pode amanhecer, florescer.
Te encantas, te entristeces, entre um som e o silêncio
do mais puro conviver em alquimia...
Tu me amas, és amado, como estou, como és porque és,
do jeitinho que eu sou,
para além diversidade, num amor de eternidade.
Só não quero que me olhes, não te enganes no meu ser
espelhando o que não sou no que és,
diferentes espantalhos afugentam sonhos vãos.
Do que és, estás em busca,
do que sou também estou.
Coração embriagado,
insensato de ternura e compaixão.

Teus olhos, meus olhos, lacrimejam, choram...
Não se escondem à espreita,
ultrapassam mesmo escuro,
todo muro em consciência,
na premência do sensível,
verdadeiro limiar
que tudo diz,
És quem és,
Sou quem sou,
Ser Feliz...



Gaiô

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