“A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam.”
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Auguste Rodin
Vamos por partes
Por partes eu não vou
Vamos pelo todo
Pelo todo não desejo ir
Vamos por onde?
Temos que ter por onde ir?
Por quê não?
Não é melhor a insegurança?
Por que ter medo dela?
Vamos viver
Deixar a chuva banhar o medo,
Levar a esperança, lavar a perseverança, respingar a temperança
O sol nos observará e secará
Então deixe os cabelos livres, não há porque penteá-los
Vamos colocar os pés no chão
Sentir a terra
O cheiro da chuva
Amar a lua
Fazer sexo com o sol
Vamos nos trabalhar, beijar, abraçar, apertar os corpos
Vamos viver a vida, sem cobranças, mandos, desmandos e perfídia
Vamos viver, tatear, tocar, sugar, lembrar de tudo e do tempo que não passa
Antes que a morte e a velhice nos batam à porta e nos leve para o todo ou para as partes.
Poesia publicada no livro BARROS, Lúcio Alves de & VILELA, Antônio Henrique. Das emoções frágeis e efêmeras. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006.
Amargo foi o dia em que nasci
Poucos sabem que logo me aborreci
E tenho certeza da vontade de ter ficado por causa do colibri.
Cambaleante, como um soldado perigosamente ferido em guerra, sinto-me apedrejado
Amarrado e, sinceramente desconfiado, levanto o meu corpo já cansado.
Distante vejo o mundo arrebentado, destruído e alienado. Tenho e sinto culpa por ter esse rosto assertivo
Mas há tempos que não vivo
Há tempos que persisto, persigo e tenho ciência que me privo...
Horas, dias e meses passam, e o tempo é o melhor amigo
A temporalidade, contudo, é o pior inimigo
Ambos passam, tal como a minha porca vida se esvai
Não encontro uma pessoa que, viva em minha lágrima, cai
Talvez a vida seja isso, um longo e perigoso teatro
Não suporto os potentes, os onipotentes e os que na verdade andam de quatro
Distante do desejo de ser protagonista desse mundo de homens e mulheres de aço
Prefiro a impotência, a simplicidade e má sorte de ser um eterno palhaço.
Estou fadado a ouvir os seus passos pelos quais vai firme e devagar,
sobre pequenas nuvens e espumas do mar.
Penso e imagino os leves deslocamentos que lentos vão atender a um chamado que desconhecido.
Contorço de ciúmes e sonho que caminha em minha direção.
O auto-engano me traz sua voz que cochicha em meus ouvidos e acalma
sossegando o coração e a alma partida pelo medo do desconhecido.
O mundo não espera, o cansaço me supera e rouba forças Guardadas para cuidar de suas dores, desamores e infortúnios.
À deriva navego em um turbilhão de ondas de sentimentos,
o ar me falta, mas e a desejo tanto que não abro mão de seus sofrimentos.
Se necessário quero me confundir com eles Acabar-me neles e,
diante da possibilidade de vê-la infeliz,
sonho em protegê-la, em tê-la, em ser você
e que somos, nesse mundo desencantado, somente um.
*** Lúcio Alves de Barros (poesia publicada no livro BARROS, Lúcio Alves de & VILELA, Antônio Henrique. Das emoções frágeis e efêmeras. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006. p. 102).
Ekaterina Abramova é uma artista de estilo moderno, que pratica pintura e artes gráficas em técnica mista, utilizando diferentes materiais, como óleo e aquarela. Nasceu em Hotkovo of Sergiev-Posad, distrito de Moscou, em 1979.
Seus primeiros objetivos em composição e artes foram fixados por seu pai, Alexander Abramov, artista e escultor em madeira. Ekaterina já participou de diversas exposições.
Sus obras estão em coleções particulares na Rússia, Alemanha, Finlândia, Reino Unido.
Aos pés do burro que olhava para o mar depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas
Pouco depois cada qual procurou com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!
Minha proposta, ao criar este espaço, é conviver com pessoas que, como eu, apreciam e se nutrem na boa arte. Juntar, a cada sessão de postagens, um artista plástico e um poeta, emoldurados por uma música envolvente, é uma forma de estimular os sentidos. Todos os dias precisamos nos alimentar e descansar. A arte nos ajuda nisso e refina nosso espírito. Sou filósofa por formação acadêmica e me agrada muito a estética da arte. A Fada do Mar Suave, como título, é uma personagem que me permite ficar no mundo dos sonhos, e não precisa ser relacionada com a imagem física de uma pessoa.
A Fada do Mar Suave circula pelo Orkut há bem uns dez anos e este blog surgiu em janeiro de 2009. Formalmente, o site WWW.fadadomarsuave.com.br se encarrega de sustentar o registro legal do nome e, de forma prática, reendereça todos os visitantes para este blog, http://fadasuave.blogspot.com . Não tenho equipe, trabalho sozinha e quem quiser fazer qualquer observação, é só deixar mensagem.
Agradeço aos artistas e poetas, que autorizam nossas postagens.
Com amor,
Fada do Mar Suave
São Paulo, SP, Brasil
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