Bruno Di Maio







Faz Escuro, Mas Canto Pra ti, Thiago de Mello




Quem tu és e o que queres sentir

(será que te dói?)

Eu não sei, não tenho sinais.


Quem sou e o que quero desbravar

(porque me corrói)

por hora, não encontro lugar.


Neste sítio frágil,

que se abre em lugares vazios

de minha própria ausência,

a dor me revela pelo avesso da alma

perdida nos nossos amplos escuros.


Sofro por não saber,

quem somos nós e

o quê nos falta

neste lugar que desconheço

mas que está em nossas vidas,


quem sabe, no nosso desejo



Ana Paula Perissé

Bruno Di Maio








Dança



Poeta
procuro-te
em chamas
luxúria
calmaria
bruxuleante em sombras.



Te quero ardente
fugidio
inteiro
sem pena
de mim.



Viajas
me leva
me tens
Não mintas
Valsa comigo
Rouba-me de mim.



Em sonhos
me encontras.
Nos lábios
te quero
risonho
sem porto
maresia.



Deita-me em teu colo
macio,
ardiloso,
faz-me lua,
em brincadeiras sem fim.



E, quem diria
o Encontro.
Almas em colisão.
Tua beleza espelhada
na aurora de nossos tempos
surpresa de ti.




Ana Paula Perissé



Bruno Di Maio






Ausência




tua
que se faz tão longa
ainda te procuro
em cada célula
minha, teu rastro de pai
avô
companheiro
de silêncios
que só hoje
em falta
os compreendo



(plenitude de significantes
paternos)



solidão de filha
que ficou com o tempo
nas mãos



com a falta maior
do que enterrei
em vida
sem me fazer
tua,
a tua filha.



( plena dignidade
ainda em mim
de ter-me feito
Ana
vinda de ti,
Thierry)




Ana Paula Perissé*