Trisha Lambi






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NÃO ME LEVES A MAL, PERDOA...

Não leves a mal, perdoa...
Mas a frieza que eu ponho
Nos meus beijos —
Não é cansaço, nem tédio.

O teu corpo
Tem o charme necessário
Para iludir ou prender,
E a tua boca
Tem o aroma dos cravos —
À tarde, ao anoitecer.

Não é cansaço, nem tédio.
É somente uma certeza
Que eu não sei como surgiu
Aqui — no meu coração:

Não, amor; não és aquele
Que o meu sonho distinguiu...
— Não queiras a realidade.

A realidade mentiu...

Antônio Botto
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Trisha Lambi


 
Trisha Lambi

Declaração da artista:

A forma da luz é minha inspiração e se manifesta bilateralmente em meu trabalho, como pintora figurativa e paisagística. Minha paixão pela luz é explorada a fundo, por meio de uma visão da teoria de que a simplicidade em uma imagem tem um impacto complexo sobre o espectador. Eu começo cada peça como um exercício sobre a forma da luz, seja uma figura humana ou uma paisagem; e cada trabalho invariavelmente avança em uma jornada espiritual na qual a pintura evolui para uma vinheta de minha vida diária - as emoções, as respostas aos eventos e pressões externas e minha contínua reflexão espiritual: tudo raramente articulado.

Embora não intencional, as mulheres em minhas pinturas sentem e enfrentam a dor e minhas paisagens evocam profundas emoções. Essa emoção vem à medida que pinto - subconscientemente dita a criação de cada faceta da pintura: a paleta, o pano de fundo, as pinceladas. Cada pedaço me toma em uma jornada, nem sempre bem vinda, mas sempre esclarecedora.

Exposições:
Um ponto alto em minha carreira foi a participação na quarta edição da Bienal Internacional de Arte Contemporânea, em Florença, na Itália, em dezembro de 2003. A participação nesse evento ocorre apenas por convite, para artistas selecionados por mérito, por um comitê internacional de críticos.

Críticas:

Sydney Morning Herald
30/31 de outubro, 2004
Lenny Ann Low
“Há alguma coisa da mulher cool dos anos 60 nas pinturas brutas de Trisha Lambi. Cada um de seus óleos sobre tela destaca um nu feminino sem a cabeça e revela uma misteriosa imperturbabilidade, de algum modo misturado a uma luz quente, avermelhada..."


Contato
Endereço: 22 Doomba Place, Karalee Qld 4306, Austrália
Telephone:       07 32947285 Overseas Callers
061 7 32947285 Mobile/Cellphone


 

 

 

 

 


Curiosidades Estéticas


O mais importante na vida
É ser-se criador – criar beleza.

Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.

Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir uma voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.

Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.



ANTONIO BOTTO

António Botto nasceu em Abrantes, em 17 de agosto 1897, tendo vindo a falecer em 1957, no Rio de Janeiro, Brasil, para onde emigrara em 1947. Viveu em Lisboa e foi contemporâneo e amigo de Fernando Pessoa e Antonio Régio.
É considerado um dos mais notáveis poetas portugueses do século XX, um dos heróis do lirismo português moderno. Conhecido fundamentalmente pela prática da poesia de verso livre, António Botto não descura na sua produção literária a elegância da composição e a leveza rítmica. Tendo, no entanto, sido incompreendido no seu tempo, com algumas das suas obras a gerarem escândalos. Escreveu poemas, contos e peças de teatro. A segunda edição das Canções foi apreendida pela polícia em 1923. Nessa altura, em resposta ao Manifesto dos Estudantes das Escolas Superiores de Lisboa contra os artistas de Sodoma, Álvaro de Campos publicou o célebre Aviso por Causa da Moral. Em 1942, acusado de falta de "idoneidade moral", eufemismo para a sua declarada homossexualidade, foi expulso da função pública. Tendo vivido no Brasil a partir de 1947, nunca cortou as raízes com Portugal.



Trisha Lambi



 

 

 

 


Canções


Pedir amparo a alguém é uma loucura.
Pedir amor,
Também nada resolve – e para quê?


O amor corre – e em seus próprios movimentos
Isola-se, e de tudo parece que descrê;
E quando vem dizer-nos que é verdade,
Vê-se a mentira
Em que ele a rir afirma o que não vê.



ANTONIO BOTTO

Trisha Lambi



 

 

 

 


Canção



Venham ver a maravilha
Do seu corpo juvenil!

O sol encharca o de luz,
E o mar, de rojo, tem rasgos
De luxúria provocante.

Avanço. Procuro olhá-lo
Mais de perto... A luz é tanta
Que tudo em volta cintila
Num clarão largo e difuso...

Anda nu – saltando e rindo,
E sobre a areia da praia
Parece um astro fulgindo.

Procuro olhá-lo; – e os seus olhos,
Amedrontados, recusam
Fixar os meus... – Entristeço...

Mas nesse olhar fugidio –
Pude ver a eternidade
Do beijo que eu não mereço...



ANTONIO BOTTO

Trisha Lambi

 

 

 

 

 

 
Canções


Envolve-me amorosamente
Na cadeia de teus braços
Como naquela tardinha...
Não tardes, amor ausente;
Tem pena da minha mágoa,
Vida minha!

Vai a penumbra desabrochando
Na alcova
Aonde estou aguardando
A tua vinda...
Não tardes, amor ausente!
Anoitece. O dia finda...
E as rosas desfalecendo
Vão caindo e murmurando:
– Queremos que Ele nos pise!
Mas, quando vem Ele, quando?...



ANTONIO BOTTO



Trisha Lambi



 

 

 

 

 




“Beijemo-nos, apenas”


Não. Beijemo-nos, apenas,
Nesta agonia da tarde.

Guarda
Para um momento melhor
Teu viril corpo trigueiro.

O meu desejo não arde;
E a convivência contigo
Modificou-me - sou outro...

A névoa da noite cai.

Já mal distingo a cor fulva
Dos teus cabelos - És lindo!

A morte,
devia ser
Uma vaga fantasia!

Dá-me o teu braço: - não ponhas
Esse desmaio na voz.

Sim, beijemo-nos apenas,
Que mais precisamos nós?



Antônio Botto


Trisha Lambi



 

 

 

 

 

 

 


“Anda, vem”


Anda vem..., porque te negas,
Carne morena, toda perfume?
Porque te calas,
Porque esmoreces,
Boca vermelha --- rosa de lume?

Se a luz do dia
Te cobre de pejo,
Esperemos a noite presos num beijo.


Dá-me o infinito gozo
De contigo adormecer
Devagarinho, sentindo
O aroma e o calor
Da tua carne, meu amor!

E ouve, mancebo alado:
Entrega-te, sê contente!
--- Nem todo o prazer
Tem vileza ou tem pecado!

Anda, vem!... Dá-me o teu corpo
Em troca dos meus desejos...
Tenho saudades da vida!
Tenho sede dos teus beijos!



Antônio Botto

Trisha Lambi



 

 

 

 

 


“Se duvidas que o teu corpo”


Se duvidas que teu corpo
Possa estremecer comigo –
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
– desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
às coisas do amor.



Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha –
Se tanto for necessário
Para ser compreendido.



Antônio Botto


Trisha Lambi



 

 

 

 




“Ouve, meu anjo”

Ouve, meu anjo:
Se eu beijasse a tua pele?
Se eu beijasse a tua boca
Onde a saliva é mel?

Tentou, severo, afastar-se
Num sorriso desdenhoso;
Mas aí!,
A carne do assassino
É como a do virtuoso.

Numa atitude elegante,
Misterioso, gentil,
Deu-me o seu corpo doirado
Que eu beijei quase febril.

Na vidraça da janela,
A chuva, leve, tinia...

Ele apertou-me cerrando
Os olhos para sonhar -
E eu lentamente morria
Como um perfume no ar!


Antônio Botto


Trisha Lambi



 

 

 

 





“Andava a lua nos céus”.


Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas

Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronze

Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho

Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Placidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.

Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.

Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu ombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...



Antônio Botto

Trisha Lambi



 

 

 




Olhei o céu!


Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A inda noite sombria.

Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento

Vinha longe a madrugada.

Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.


Antônio Botto