Andrew Atroshenko







Andrew Atroshenko


 
Andrew Atroshenko nasceu em 1965, em Pokrovsk, Rússia. Reconhecido como criança super dotada em 1977 pela Children's Art School, formou-se com louvor em 1981. Dois anos mais tarde, entrou no Bryansk Art College, e em 1991 foi aceito em uma das mais prestigiosas escolas de arte em todo o mundo, a St. Petersburg Academy of Art. Participou de bem sucedidas exposições, como em Reutlingen, Alemanha, St. Petersburg, e Teacher's memory. Depois de formado, passou um ano em New England, nos Estados Unidos, envolvido com
o grupo de artes  "Bay Arts", em trabalhos relacionados à chegada do novo Milênio. Suas pinturas a óleo são grandemente inspiradas por sua esposa e filha.



http://www.lamantiagallery.com/atroshenko/AndrewOriginals.html


 

 

 

 



 

A máscara


A espontaneidade mata
O amor é ódio
A palavra oprime
O outro é estranho
A verdade é mentira
O olhar firme assusta
A ambição sufoca
O coração se altera
A alma chora
O corpo presente cansa e suporta...
... esse doce teatro de uma vida inútil.



Lúcio Alves de Barros

 (27/12/2007)



Andrew Atroshenko



 

 

 

 

 

 


Sonhos em ti

Sonho em sua face clara
Vontade de pegar seus cabelos da noite
Amarrar-me nos belos seios que sustenta
Acariciar o seu pescoço de cristal
Morder os seus pés vermelhos
Protegê-la contra o vento sujo
Tatuar minha mão em suas torres sempre firmes
Desejo lhe afastar do mundo dos mortos
Cair sobre a sua boca molhada
Confundir-me com as partes do seu corpo nu
Deslizar sobre ele minhas pequenas mãos
Voar em meio às nuvens da chuva azul que cai
Esquivar junto contigo dos que a invejam no mundo dos vivos
Colocar-me à frente do tiro certo e da bala perdida
Da fala invejosa verde e sádica
E da língua acesa daqueles que nada tem a perder
Queria estar sempre ao seu lado
Ouvir o seu sono e lhe acordar para o seu café
Sentir que sou e faço parte de sua alma branca
Mesmo que para isso seja preciso morrer e ficar quieto no meio do seu espírito que, por vezes, me esforço por ser.




Lúcio Alves de Barros

Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte/MG – Brasil

* Lúcio Alves de Barros é licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia e doutor em Ciências Humanas: Sociologia e Política pela UFMG. É autor do livro “Fordismo: origens e metamorfoses”. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba), 2004, organizador do livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006, co-autor do livro de poesias, “Das emoções frágeis e efêmeras”. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006 e organizador da obra “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho: Ed. ASA, 2009.
Lúcio Alves de Barros
Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2009
Código do texto: T1808312



Andrew Atroshenko



 

 

 

 


Angústia


Nas humildes e tristes letras que escrevo
Errantes e tremidas no papel
Sua imagem invade minha alma
A saudade é um terror
Uma angústia negra invade o meu peito
Melancólico respiro fundo e repetidamente... acho que...
Vai explodir... vai explodir...
Toco o ar e ele me falta
Apego-me a água
Ela molha meu espírito e minha tristeza
Em um peito cansado da respiração
Percebo a inutilidade do sossego,
Obsessivamente, faces e mais faces passam como quadros em minha mente
Preciso esquecer...
Respirar...
Sobreviver...
É necessário e obrigatório esvaziar
Longe da vida, não há porque esperar a explosão,
Se ela vier,
Salva-me Senhor!


Lúcio Alves de Barros


Andrew Atroshenko



 

 

 

 


Chuvas e lágrimas


Ela caiu,
e, em meio às chuvas, veio com as lágrimas de pedra de Deus.
Misturou com o meu oceano de sentimentos
Inundou meus ouvidos
Abafou meu peito
Arrancou sofrimento
Enlouquecida, se derreteu entre as potentes e majestosas águas
Com a inocente enxurrada levou meu espírito
Minha alma de pedra se quebrou ante a chuva forte.
Ela levou tudo
Despencou a casa do meu coração
Invadiu os detalhes dos móveis do meu corpo
Sujou e cegou com lama meus olhos.
Beijou os meus pés e rapidamente sacudiu meu peito
A natureza não perdoa
O calor da chuva que cai
Toma o que foi sempre seu
Na terra enrugada ficaram as conseqüências: a angústia, o desespero, o medo.
Paulatinamente as águas vão baixando
Ainda caem calmos pingos de cansaço e, entre as lágrimas, vejo meus sonhos à deriva.

Lúcio Alves de Barros


Andrew Atroshenko


 

 

 

 

Fracasso no amar

Desculpe o meu fracasso no amor
Não queria ser assim
Mas sou.

Desculpe minhas palavras tristes
Os meus olhos quentes de muitas lágrimas
E minhas poesias de poucas leituras

Desculpe a minha crueldade com meu ser
A minha incompetência em ter
Desejo a diferença, mas sou pouco e cansado para seguir

Desculpe se em minha vida insignificante não posso lhe oferecer músicas
Tenho muitas mágoas
Perdas e danos de partidas inacabadas

Desculpe minha paixão
Meus sentimentos desaforados
Minha vontade de arrancar os seus olhos

Desculpe, mas esta será a minha última poesia para você
Não posso ser a pedra no caminho
O sinal que não se abre

Desculpe então pela minha ansiedade
Pela despedida acertada
E dos sentimentos que ficarão em vão

Desculpe não suportar ver o seu rosto com (em) outro
E as fagulhas de seus olhos que desejo comer
Abraçar e cantar como se tivessem nascidos somente para observar o meu amor por ti.


Lúcio Alves de Barros


Andrew Atroshenko



 

 

 

 


Para lá e para cá

Quando a vi descer
Andando sem ver
Caichinhos para lá
Caichinhos para cá

Era um leve amanhecer
Os cabelos, véu do rosto, tapavam os seus olhos a entristecer
E ela caminhava com caichinhos para lá
Caichinhos para cá

Não era possível perceber o soslaio
Então me contorci como um balaio
E ela menosprezando com caichinhos para lá
Caichinhos para cá

No seu constante e amável balançar
A felicidade me entorpeceu, com vontade de amar
Ela nem ligou com caichinhos para lá
Caichinhos para cá


Gostei da chuva que iniciou a pingar
E orei a São Pedro para ela olhar
Ela olhou para trás e, risonha, começou a balançar os caichinhos para lá
Caichinhos para cá

Meu coração começou a soprar
Minha alma a delirar ao vê-la em sua casa entrar
Caichinhos para lá
Caichinhos para cá



Lúcio Alves de Barros

Andrew Atroshenko



 

 

 

 

 
Em meio à liberdade

Bons sentimentos não podem estar longe da liberdade
Se não existe liberdade, não há sentimentos
Se inexistir a liberdade, não há amor.

Tanto na liberdade, como no amor, há dor
Como no amor, na liberdade há terror
Liberdade é incerteza
Amor é a incerteza eterna

Desconfio que seja por isso que temos medo
Amar é doar, e toda doação tem o seu custo
A liberdade, ao contrário do amor, não tem preço
Com ela, também não se vai longe sem o amor

Tanto o amor como a liberdade são sentimentos inegociáveis,
Impossíveis de mensurar
Passam longe das máquinas de calcular,
dos computadores de última hora, economistas e bajuladores de plantão.

Amar com liberdade é sofrer as conseqüências
da incerteza
da solidão
do medo
do inexistente...

Amar com liberdade é sofrer as conseqüências
da mansidão
do ombro amigo
da paixão
do existente...

Aos seres humanos cumpre a escolha: “Amar é demasiadamente humano”




Lúcio Alves de Barros


Andrew Atroshenko



 

 

 

 


DO SUSTO NOSSO DE CADA DIA


O sentimento que me assusta voltou a incomodar
Toca-me como as lágrimas da chuva
O veneno do vento, o gosto da boca que beijei...

O sentimento assustador que me retirou o sono
Lembrou-me do pequenino beija-flor e da pedra solitária no jardim
Dos banhos de chuva quente no verão e dos carrinhos de rolimã do passado.

O sentimento assustador acordou-me do sono dogmático da razão
Jogou por terra minhas emoções e mostrou-me a humanidade
Na dureza da vida que me persegue, nos montes e sacos cheios de areia que carrego na vida, a leveza se fez presente e pensei na vida que perdi, e na vida que tenho a ganhar.

Quanta ansiedade em um coração
azul
Quanto medo no coração amarelo...
No jogo das cores do passado ando derrotado ante a impossibilidade de tocar a felicidade,
Sentir os dedos e beijar novamente os lábios que fortemente mordi.




Lúcio Alves de Barros


Andrew Atroshenko



 

 

 

 


Contradições amorosas


Você, no alto dos seus belos olhos, diz ter medo
Eu, abaixo de sua linha da cintura, digo... eu sou o medo

Você, plantada na experiência, de uma longa vida, diz que sofreu
Eu, ainda cambaleante em meu triste corpo, digo que sangrei

Você, alinhada em seu perfil de estrela, afirma que chorou
Eu, mascarado em minha face de aço, saliento que me desmanchei em lágrimas

Você, ser sedento de paz e ternura, diz amar
Eu, impaciente e temeroso, digo ter dificuldades em entregar, arriscar e doar

Você, na intensidade de sua ansiedade, busca a felicidade
Eu, entregue às minhas eternas limitações, me apego à realidade.

Você, altiva e bonita, diz Sim e Não
Eu, cansado e sem esperanças, digo Não e Sim.



Lúcio Alves de Barros


Andrew Atroshenko



 

 
 

 


  
VIVER NÃO É PARA PRINCIPIANTES

Sou errante
Problemas nenhum com isso
A vida não dá trégua
Não passa de lembranças, amizades e amores destruídos com o tempo

A vida não oferece o seio da mãe
Quando se vê, já foi...
Acordado, prefiro o adormecer
Adormecido, logo sou abatido pela insônia

Poucos esperam
Tudo é rápido, sem tempo e escolhas definidas
Deram ADEUS à paciência
Não aguardam o abaixar das poeiras

A vida é efêmera
Espanca com força
Esperanças se vão
Vive-se de uma falsa perseverança e aplaca-se a falta em um outro

Errando na vida dos que procuram somente a felicidade
Principiante no enredo doméstico e das intimidades
Mentimos para nós mesmos
E me afogo na realidade, pois temos medo do assombrado passado

A vida não dá trégua
A vida é efêmera
A vida não oferece seio
A vida não é para principiantes



Lúcio Alves de Barros

outubro de 2007