Margo Selski









Cabeça de fauno


Na folhagem, estojo verde de ouro manchado,
Na folhagem incerta e florida

De esplêndidas flores onde o beijo dorme,

Vivo e rasgado o precioso bordado,


Um fauno assustado mostra os seus olhos
E morde as flores vermelhas com seus dentes brancos.

Moreno e sangrento como um vinho velho

O seu lábio estoura em risos sob os galhos.

E quando fugiu — feito um esquilo —
O seu riso treme ainda em cada folha,
E vê-se amedrontado por um grilo
O Beijo de ouro do Bosque, que se recolhe.

Arthur Rimbaud

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