Vincent van Gogh







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Amigo livro

Para Fada Suave



Adoeci, cansei...
Meus olhos estão abertos, mas não vejo
Respiro porque o ar é teimoso e invade os meus pulmões
As pernas desobedecem e ando assim mesmo
Uma espécie de culpa da vida está na nuvem negra sobre a minha cabeça
Ela não resolve o que quer
Não cai e teima em me perseguir
O cansaço aumenta a cada dia, hora, minuto...
Uma chama, contudo, ainda persiste.
Tateando lá vou eu...
Acelero um pouco mais e coloco o pé no freio.
Aliviado vou me aquietando quando chego a comer as primeiras letras de um livro
Pouco a pouco já não vejo a nuvem
Outros mundos invadem um mundo que desconheço
As letras vão forjando frases amigáveis que me abraçam sem pudor
De folha em folha, vou comendo devagar as páginas
O cansaço diminui e um fogo dá vida a uma nova fervura dentro de mim.





Inverno de 2009

Lúcio Alves de Barros



Vincent van Gogh







Angústia




Nas humildes e tristes letras que escrevo
Errantes e tremidas no papel
Sua imagem invade minha alma
A saudade é um terror
Uma angústia negra invade o meu peito
Melancólico respiro fundo e repetidamente... acho que...
Vai explodir... vai explodir...
Toco o ar e ele me falta
Apego-me a água
Ela molha meu espírito e minha tristeza
Em um peito cansado da respiração
Percebo a inutilidade do sossego,
Obsessivamente, faces e mais faces passam como quadros em minha mente
Preciso esquecer...
Respirar...
Sobreviver...
É necessário e obrigatório esvaziar
Longe da vida, não há porque esperar a explosão,
Se ela vier,
Salva-me Senhor!


Lúcio Alves de Barros


Vincent van Gogh




Se preciso for...






E se preciso for
volto atrás
peço perdão
pego em sua mão
arranco o meu coração
rasgo minha boca
furo meus olhos
dispenso meus ouvidos
mas não entristeça sua alma
meu espírito é feio
não merece tanta atenção.







Lúcio Alves de Barros