Sokolova Nadejda










INFÂNCIA



O alfabeto na lousa

Desafia a memória.

A lição explorada

No caderno escolar.

O livro de figuras

E de linhas tão puras,

Mas de linhas tão certas

Para idéias incertas.

No ritmo das palavras

E na cor das estampas

Meridianas lavras

Para futuras searas.



O mistério no mapa

Vivas cores exprime

Com nomes imperfeitos

A lucidez dos versos;

Mas olhando direito

Traz concreto cansaço

Parco e serio repasto

Para o traje e o pão

Não lidos, consumidos

Por nosso corpo e mãos.



O cansaço nos olhos

E na tremula mão,



Já maquina o corpo

Nas palavras, o ofício,

A metáfora e o chão,

Mas na voz mansidão.

O consciente lirismo,

Domiciliar abrigo

De cantigas e versos

De ilusória razão

- não livres, consumidos

Por nossa arte e ação.



O alfabeto na lousa

Liberto o mapa ao lado

Era outra dimensão

Era um mundo inventado:

Domínio colorido,

Janela transformada.



Nos, sonhos matinais

Íamos de terra em terra

A ignorado reino

Que, por distração única,

Não estampava o jornal.



Sonhos tão bem talhados

De emocional invento,

- reinos confabulados

De ritos e de fabulas

Consubstanciados

Com coisas que na mente

Germinam, não foram

Os traços, pontos negros

Das rotas cardeais.



O mundo em nossas mãos

Do mapa a lição

De ocasionais veredas

Para se olhar contidas

E inventar dimensões.

- que já nos padecia

Com lirismo e poesia

A buscada posição.



Myriam Coeli


Fotos de Myriam Coeli




Biografia





Myriam Coeli de Araújo Dantas da Silveira nasceu em 19 de

novembro de 1926 , em Manaus-Amazonas, mas o registro a

fez nascida no Acre.

Com dois meses de nascida veio para São José de Mipibu –

Rio Grande do Norte.
Primeira jornalista profissional do Rio Grande do Norte,

integrou as redações do Diário de Natal, Tribuna do Nordeste

e a República, primeira também a obter especialização no seu ofício,

tinha diploma de jornalista pela Escola Oficial

de Jornalismo de Madrid, como bolsista classificada pelo

Instituto de Cultura Hispânica, na Espanha.
Como intelectual, ganhou os seguintes prêmios:

Othoniel Menezes (poesia), 1980 promovido pela Prefeitura de

Natal-RN, com o livro "Cantigas de amigo",

edição Clima; Fundação José Augusto (poesia), 1981

com o livro "Inventário", e outra vez o Othoniel Menezes

(poesia), 1981 com o livro "Catarse".


Também foi a primeira mulher no Brasil a falar em semiótica,

a estudar Ciências Políticas a convite do governo francês

em Sorbonne.

Era apaixonada por Federico García Lorca, amiga de vários

Prêmios Nobel de Literatura, poliglota, escrevia em português

dos menestréis, de forma perfeita e parecia que se transportava

aos versos das cantigas de amigo e amor.

Antes publicara "Imagem Virtual" (Imprensa oficial, 1961)

pela Coleção Jorge Fernandes, e parceria com o marido

e escritor Celso Silveira.
Myrian Coeli, faleceu em 21 de fevereiro de 1982.




Cristiana Coeli Silveira Goldie.





Entre sombra e pedra

desfolhada rosa

solitário espinho

que, alado e mudo,

perpassa o tempo.

(O tempo do tempo

que tempo já era).



Myriam Coeli





De salgema

o poeta

já disfarça

meus dilemas

Nele arrisco

meus cristais

e empenho

esperanças

que decifro

circunscritas

em lembranças

(...)




Myriam Coeli