Miguel Tió







Ameaça


Venha a mim
Aproveite que a chuva ficou mais forte
E confie mais na sua sorte
Perceba que a luz ficou mais fraca
Aqui entre nós
Espera sem fim
Venha a mim
Antes que eu queira usar a faca


Greta Benitez

Miguel Tió


Miguel Tió

O dominicano Miguel Tió iniciou seus estudos de pintura com o artista Elias Delgado, enquanto cursava a Escuela Nacional de Bellas Artes, em Santo Domingo. Seu interesse em Publicidade e Projetos Gráficos o levou a prosseguir com seus estudos na Universidad Autonoma de Santo Domingo. Trabalhou como artesão e cenógrafo para a TV Teleantillas e como ilustrador para a Secretaria de Estado y Educacion, Bellas Artes y Culto na República Dominicana.
Sua mudança para New York City, in 1994, levou-o ao Izquierdo Studio, onde trabalhou com pintura e silk screen para um grande número de projetos, como os filmes Spiderman 1 & 2, e a diversas montagens da Broadway, como A Bela e a Fera, Pimpinela Escarlate, Rent e Miss Saigon, operas como Four Saint in Three Acts e Madame Butterfly, inúmeros comerciais e eventos. Também trabalhou com Heidi Pettee Designs, Richard Leeds International, Rosie Magazine e a loja da Warner Brothers. Atualmente é professor de artes, tendo se especializado também em técnicas renascentistas. Tem sido aclamado em frequentes exposições de arte.
Segundo suas próprias palavras, Miguel Tió conta que foi apresentado à espiritualidade desde criança, por sua mãe, que lhe dava vários livros sobre o tema, para que perdesse o medo de ouvir e a ver os fenômenos espirituais podendo compreendê-los. Abraçou poderes místicos, imagens e mensagens, que se tornaram parte integrante de sua carreira artística. Seus trabalhos exploram temas que abordam desde a Metafísica, dogmas religiosos tradicionais e preconceitos até a natureza instintiva e emotiva da sexualidade humana. Esses são temas normalmente tratados como pólos opostos, que tenta desmitificar, por meio de uma interpretação contemporânea racional, pensada e honesta, assim como espiritualizada e sagrada. E procura ser conciliador ao invés de controverso.








Comics


O sax me injeta ciúmes na veia
Barítono ambíguo
Homem-aranha, moça feia
Ela, sem notar, arquiteta a teia
E vira mulher-gato
olhe a foto
Homem-mosca, mulher-porcelana
Todos fazem parte da trama.
Eu, moça-vitral, fruta cristalizada
Será que sou amada?


Greta Benitez


Greta Benitez nasceu em Curitiba em 1971.  Formada em publicidade e pós-graduada em marketing. Já ganhou inúmeros prêmios em vários estados do Brasil além de ter textos editados em várias revistas, como Oroboro e ETC. Em 1999 lançou o livro de poemas, Rosas Embutidas, atualmente esgotado, edita o site Poesia Insana e prepara o lançamento de Café Expresso Blakcbird.
Já obteve diversas premiações em vários estados do Brasil e foi publicada em várias antologias.



Karol Bak







Karol Bak






Mensageira


vem
quebra o silêncio do espaço
que me envolve em ondas de tédio
onde meus sonhos rasgados se contorcem

vem
habitada flor perfumada
cor   seiva    pétala    fruto
pousar suavemente
neste espaço desnudado

vem
fonte de amor
dar riso ao sol
criar rios de luar
onde me aqueço e banho
vem assim simples
sem véus de cristal
regar meu corpo vagabundo


António Sem

Karol Bak







As minhas mãos 


As minhas mãos afagam a doçura
e estendem-se gentis e tranquilas
pelas horas infindáveis
de muitas coisas passadas
em anos vividos
abraçados num destino
que transporta consigo
pedaços de uma vida

As minhas mãos afagam a doçura
e trazem novos afagos de lua cheia
buscando ansiosas e aflitas
o conforto de uma pele macia
de tanto prazer abraçado
e de tanta delícia sentida


António Sem

Karol Bak








Noite mágica 


Nesta noite mágica
em que persisto silenciosamente
a lucidez se excede e se espreguiça
na distância que nos abraça
Invento-te nesta ausência magoada
pássaro cortando a minha boca
ainda imaginada do teu sabor
Viajo no escuro insustentável
das palavras íntimas e lisas
que o corpo adoça e sustenta
Nesta noite húmida de ti
ficam as palavras sonhadas
neste caminho de eterno retorno
à luz etérea do desejo nocturno
Fogueira de Silêncio
Cais sobre o meu corpo
e eu dispo-me de toda a ansiedade
onde a forma e a transparência dos afectos
se espreguiçam neste deserto que sabe a desejo
preparo o leito onde repouso
não há tempo nem distância
para a tua chegada serena
que me cobre e me protege
como brisa que traz até mim
o aroma de um tempo renovado
depois de me sobrevoares
deixa o eco da tua voz percorrer
o mutismo desta fogueira de silêncio


Antonio Sem

Karol Bak







Há dias assim


Há dias assim
cinzentos de sol
a amarelecerem as folhas da melancolia

Há dias assim
com sorrisos imóveis
quando tombam os ramos da noite

Há dias assim
onde o instante quebra
a aliança entre o homem e as coisas

E nesta sucessão dos dias
deslizo como uma gota sem contactos
que abro entre formas cegas que me ignoram


Antonio Sem

Karol Bak







Promessa 


canto silêncios e imagens
neste dia inventado por ti
onde as palavras se despem do tempo

com os silêncios construo
a neblina das manhãs despidas
e o orvalho das noites sem abrigo

com as imagens adorno
a solidão do tempo
onde se estende o teu vulto imaginado

no espasmo de uma promessa
fica a doçura original
da minha própria manhã


António Sem

Karol Bak







Perco-me e encontro-me 


Perco-me e encontro-me
em cada instante nomeado
quando as palavras se tornam mudas
invertendo o silêncio da luz
que me saciam de mistério
e teimam em me pertencer

Eu me perco de silêncio
eu me encontro de esplendor


António Sem