Jia Lu








Cântico
 

Num impudor de estátua ou de vencida,
coxas abertas, sem defesa... nua
ante a minha vigília, a noite, e a lua,
ela, agora, descansa, adormecida.

Dos seus mamilos roxo-azuis, em ferida,
meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro... e porquê? Meu sonho, irreal, flutua
sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...
enquanto o luar a numba, inerte, gasta
da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos...
e eu pouso a boca, religiosa e casta,
sobre a flor esmagada do seu sexo.


José Régio


3 comentários:

Nereide Fregoni Arante disse...

Deslumbranteeeeee!!!!!!!!! Sensacionallll!!!
Rico, chic, lindo e culto. Parabéns pela maravilha postada. Uma galeria de Jia Lu nota 100000000.... E José Régio é o máximo. Lindo!!!

Analuka disse...

Caríssima amiga Fada do Mar! Está perfeita, adorável, a combinação das pinturas de Jia Lu com os poemas de José Régio!... E, sempre de novo, a inesgotável magia da feminilidade, a sensualidade, a leveza e força que emanam da mulher, mãe, amante, amada, musa, cantada e desejada!... Parabéns por mais esta encantadora postagem, presente generoso que ofertas aos amigos e amigas amantes das artes que aqui vem beber de sonho e beleza! Beijos pintados e alados!!!

Osvaldo Heinze disse...

Jia Lu
Obrigado por emprestares na forma de telas
teus sonhos de cores
e teus sentimentos plasmados nas tintas
sinuosas, insinuantes, inteligentes, apaixonantes.
Amei como expressas a beleza da mulher oriental
livre de preconceitos, livre dela própria,
solta, podendo voar, andar sobre águas,
ser da mais pura vida!

Beijos!

O.Heinze

o.heinze@hotmail.com
orkut – O.Heinze Artista