Ray Caesar


Ray Caesar

Ray Caesar nasceu em Londres em 26 de outubro de 1958, como o mais novo de quatro irmãos, e para grande surpresa de seus pais, nasceu cachorro, de acordo com suas próprias palavras. O artista diz achar importante se identificar com algum animal, já que este pode servir como um guia de comportamento pelo resto de sua vida.
Tira muitas de suas inspirações das experiências de sua própria vida, como por exemplo, das que viu e viveu durante os 17 anos em que trabalhou na ala infantil de um hospital, fotografando desde abusos infantis e pesquisas em animais até perícias forenses.
Ray Caesar pinta e desenha desde que se lembra por gente (ou cachorro), mas só resolveu mostrar suas obras aos 45 anos de idade, após sonhar com sua mãe que havia morrido a apenas alguns meses. Hoje, o artista vive apenas de suas obras.
Além dos temas extremamente polêmicos e interessantes de suas obras, há ainda mais uma característica peculiar em seus trabalhos: a técnica utilizada. Acreditem ou não, seus trabalhos são inteiramente digitais. Tudo é modelado em 3D e texturizado com imagens que o artista coleciona obsessivamente.  Alguma dessas texturas tem histórias interessantes ligadas à vida do artista, como por exemplo, a de uma cicatriz do pai, ou a que precisou convencer o médico a fotografar no interior de seu corpo durante uma cirurgia.
Pois é, parecem histórias inventadas, mas não são. São relatos da vida do artista que podem, com facilidade, ser vistas em suas obras, através da intensidade e sentimentos expressados por ele. Sua criatividade consegue mixar em uma mesma imagem o infantil e ingênuo com o sexual e macabro. Viriam o infantil e ingênuo do seu lado cachorro? Assim como o sexual e macabro de seus anos no hospital infantil? Não se pode dizer, mas apenas imaginar…….tentando entender como se cria um mundo como o que Ray Caesar criou.









Retrato do Poeta Quando Jovem


Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.


José Saramago


José Saramago nasceu na aldeia Ribatejana de Azinhaga, Concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registro oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida tem decorrido na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceu e técnico) que não pôde continuar por dificuldades econômicas.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: ilustrador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova". Em 1972 e 1973 fez parte da redação do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi diretor-adjunto do "Diário de Notícias". Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário.
Faleceu em 18 de junho de 2010



2 comentários:

Crista disse...

Ray...ser humano e cachorro maravilhoso...já viveu,viu e sentiu tudo...por isso de sua obra tão espetacular!
José Saramago...um encanto de poeta!!!
Como combinaram os dois...cada qual com sua maravilhosa arte!
Beijos,Fadinha que sabe como ninguém presentear a todos sem distinção!
Beijo os tres,com a ponta do nariz gelado e respingos de gotinhas de chuva caídos de meus cachinhos...heheheeeeeeee...

A dúvida da ovelha disse...

Um esplendo de talentos. Maravilhosos!!!
Parabéns aos dois astros consagrados e ADEUS amado Saramago que estará para sempre em minha estante e em meu coração.

Fada, fada e fada me leva para outros mundos e não quero voltar mais para o planeta Terra.
Beijos fraternos