Pablo Picasso







O POETA


No telefone do poeta
desceram vozes sem cabeça
desceu um susto desceu o medo
da morte de neve.

O telefone com asas e o poeta
pensando que fosse o avião
que levaria de sua noite furiosa
aquelas máquinas em fuga.

Ora, na sala do poeta o relógio
marcava horas que ninguém vivera.
O telefone nem mulher nem sobrado,
ao telefone o pássaro-trovão.

Nuvens porém brancas de pássaros
acenderam a noite do poeta
e nos olhos, vistos de fora, do poeta
vão nascer duas flores secas.


João Cabral de Melo Neto

2 comentários:

Vereza Mariano Russo disse...

Fantástico! É muito bom este Blgo!
Parabéns por mais este post, com João Cabral de Melo Neto e Pablo Picasso, ficou magnífico.
Arrepia de tão lindo.

Fada do Mar Suave disse...

Querido Amigo(a)

É muito gratificante receber sua visita e seu comentário neste espaço, pois ele enriquece meus dias e me ajudam a continuar buscando o melhor para você.
Volte sempre! Beijos da Fada do Mar Suave.