Mostrando postagens com marcador Oswaldo Antônio Begiato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oswaldo Antônio Begiato. Mostrar todas as postagens
Susan Rios
CANTIGA DE NATAL
Quando o natal vem chegando
meus vácuos, prole da infância,
se enchem de Avenida Paulista,
de formas e lâmpadas surreais,
de presépios sobre-humanos,
de presentes multiangulares,
de Boas Festas de Assis Valente...
Todo ano, no mês de dezembro,
com as preces cheias de vitrines
e de dúvidas sobre um céu ouvidor,
desperta em mim a criança viva
que nunca fui. Que nunca vi.
Oswaldo Antônio Begiato
Susan Rios
A habilidade de Susan Rios para recordar sentimentos familiares
através de suas pinturas é a base de seu trabalho. A artista trabalha com uma
paleta de cores quentes e suaves, convidando os apreciadores a um mundo no qual
um momento tranquilo pode durar uma eternidade. Sua inspiração vem da beleza do
dia-a-dia.
Trabalhando em um estúdio doméstico, em Glendale, Ca, faz de
aspectos de seu mundo temas de seus trabalhos, como filha, neta, seus gatos e
objetos pessoais.
Pintora de sentimentos e emoções, Susan cria cenas familiares que
exalam paz, harmonia e romance, com interiores acolhedores, jardins floridos e
paisagens à beira-mar que elevam os sentidos e o espírito. Susan prefere
trabalhar com acrílico porque seca mais rápido, o que lhe permite trocar ideias
com outras pessoas.
A beleza atemporal e duradoura de seu trabalho continua a atrair
atenções depois de 25 anos de carreira. O impacto emocional de suas pinturas,
contudo, é o elemento mais importante. Como uma artista, diz, é essa sua
verdadeira recompensa.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Bartolomé Esteban Murillo
CANTIGA DE NATAL
Quando o natal vem chegando
meus vácuos, prole da infância,
se enchem de Avenida Paulista,
de formas e lâmpadas surreais,
de presépios sobre-humanos,
de presentes multiangulares,
de Boas Festas de Assis Valente…
Todo ano, no mês de dezembro,
com as preces cheias de vitrines
e de dúvidas sobre um céu ouvidor,
desperta em mim a criança viva
que nunca fui. Que nunca vi.
Oswaldo Antônio Begiato
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
PROMESSAS CUMPRIDAS
Venha ver o que, rara, nasceu ignota
Atrás de nossa casa velha e relha,
Em frente à varanda, ausente de nós,
Sob a sombra fria de nossas janelas.
Um pezinho inocente de margarida,
Pálida como a lua cheia no inverno
E frágil como as entregas ingênuas
Em noite de bem-me-quer dissimulado.
Por um instante completaremos o vazio
Que ficou no avesso do vaso colocado
Ao lado da foto de nossas promessas
Quando éramos esperanças mútuas.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
CINZELAÇÃO
E quando o tempo terminar de esculpir meu corpo,
Com seus martelos pesados e seus cinzéis afiados,
Dele tirando todo o excesso de vaidades e matérias,
E do corpo, enxuto de músculos e pecados, minh’alma se apartar,
Espero ser compreendido pelas dores que, sem querer, causei
E ser admirado pelas dores que sofri na calada de meu viver.
Se é que o juízo final é mesmo uma balança imparcial,
E minhas cinzas puderem ser divididas em duas partes e um peso só,
Então que uma porção seja jogada no inferno e a outra no paraíso.
Que eu possa, finalmente, descansar em paz.
Oswaldo Antônio Begiato
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
PÉTALAS PLENAS
Leve meu peso leve
No teu cair descuidado
E me deixes vulnerável.
Serei, a ti, eternamente grata
Por teres chovido pedra
Nas minhas pétalas.
Pode agora a luz me atravessar sem dor.
Sou, sem ser efêmera, fêmea incólume.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
ALTIVEZ
Depois de percorrer
meus pensamentos confusos,
rebentado e escasso,
termino de escrever
a poesia nova,
rebento indócil
que me rasga todo dia.
Olho pra ela e dela rio. Sem muita razão.
E quando vou repousar
deixando-a no livro aberto
de quem a lê sem sofrimentos
com os olhos gordos,
ela livre e de ninguém,
fica toda cheia de zombas.
Olha para mim e de mim ri também. Com razão.
Deixamos assim
os pratos da balança
no mesmo nível. E o fiel com ciúmes.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
BLEFES
Não consigo gostar
desse jogo de baralho
onde abundam
sotas de ouro,
valetes de paus,
e blefes insólitos.
Enquanto ás de espadas
eles se acomodaram
dentro de uma cesta,
na hora da sesta,
sexta passada.
Macambúzio e rei de copas,
vou me mandar
para São José dos Ausentes
onde o frio é intenso,
o amor também
e não tenho parentes.
E que me tragam
uma jovem virgem
(ela chegará virgem
e virgem partirá)
para me aquecer,
dentro de uma cesta,
na hora da sesta,
sexta que vem,
feito Davi, o rei,
na sua velhice.
Não quero mais chorar de frio.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
VISITA PURPÚREA
Por aqui, hoje, o sol se fez visita
E meus olhos angustiados se encantaram.
Fiquei com alma de cidade grande
E esperanças de porto pequeno.
O mar sem medidas e limites se abriu miúdo
Deixando-me agigantado e entorpecido
Diante de um horizonte colorido de batom
A abraçar-me em arrebatamentos espantosos.
Pude tocá-lo suavemente com mãos brancas,
Em sua ara depositar ofertas vermelhiças,
Experimentando a ternura, rebento milagroso
Da vida que acontece a cada ínfimo olhar.
O homem mal feito, impregnado de vícios,
Se viu criança com pincéis de luzes coloridas
E uma imensa tela bordada, feita de céu,
Brincando distraído no quintal do Universo.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
SEGREDO DE POLICHINELO
Frágil, tenho medo de que revele
O segredo que lhe deixei
Guardado dentro de nosso beijo.
Quebro-me fácil dentro de sua boca;
Meus pedaços lhe entrego, sem defesas.
No meio deles, os ruídos;
Nos ruídos, a sintonia;
Na sintonia, as semibreves,
Nas semibreves, as sílabas;
Nas sílabas, as conjunções;
Nas conjunções, minha carne;
Na carne, o beijo irreversível;
No beijo, o segredo que lhe deixei.
Frágil, tenho medo de que o revele.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
IMPERFEITO SONETO DO AMOR MADURO
Vim aqui fazer uma visita breve
Mas trouxe, no estribo da boca, o verbo,
Porque viver mesmo, sem dizer “eu te amo”,
Ninguém vive. Ninguém sobrevive. Ninguém.
Não quero que a fascinação te cegue,
Nem quero o despojamento te calando,
Quero-te com os ouvidos soltos aos sons
E o coração leviano, manso e entregue.
Assim poderei dizer: - Te amo! Sem medos,
Com todas as palavras expostas pela dor
E que o silêncio escondeu de mim e de ti.
Que minha vida continue sempre assim
Jamais precisando te perdoar nada,
Mas sempre precisando te pedir perdão.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
FUNERAL
Derramem sobre minha pele
um jarro de perfume suave
e esperem a noite chegar.
Durante a noite enfeitem
o meu corpo com tintas claras;
o leito de morte
com as flores mais meninas,
fecundadas em afetuosos toques
pelo vento brejeiro,
cuja gentileza se fez semeadura
por entre meus cabelos
e cuja brandura,
obrigação cotidiana nossa,
amantes que fomos.
Deitem minha carne na jangada.
Estarei então pronto. Ateiem-me fogo.
Aquecido partirei
nos curtos braços do amor.
Com meu corpo em chamas
descerei a correnteza do rio até me consumar.
Oswaldo Antônio Begiato
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Igor Kamenev
PEDIDOS À LUZ DE VELAS
Quando ainda sonhador crédulo, de pernas nuas,
Disseram-me para não revelar os pedidos feitos
Por ocasião do sopro sobre velas do bolo de aniversário.
Nunca tive bolo de aniversário. Tive sempre fantasias.
A cada novo outubro imaginava um bolo, velas cheias de esperanças
E meu sopro sobre elas derramando desejos inocentes.
Nunca, nesse tempo todo, os revelei a quem quer que fosse.
Mesmo assim, teimosamente, eles, os pedidos, nunca se realizaram.
Marcadores:
Oswaldo Antônio Begiato
Assinar:
Comentários (Atom)












































