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Almada Negreiros






Contos pequeníssimos

esta grandeza de não a ter
é mais pequena que a de não desejar tê-la

e se o preço de participar é grandeza
não contem comigo
não participo
não participo nem contra grandeza

nasci ar
em forma de gente

nasci luz
em forma de gente

não me compreendo
e respiro-me
e vejo-me textual

a forma de gente faz-me agir fora do que nasci ar
fora do que nasci luz

e nasci ar para forma de gente
e nasci luz para forma de gente

nasci antes de mim
antes de forma de gente

era gênio antes de nascer
em forma de gente
a forma de gente não me deixa ser o gênio que nasci.


Almada Negreiros



Almada Negreiros

Agradeço, de forma muito especial a Heloisa Asinari, pesquisadora da literatura de Almada Negreiros, que ajudou a elaboração desta página,enviando imagens e artigos a respeito deste autor de seu acervo pessoal. Assim, contribuiu para o enriquecimento deste Blog.







A sombra sou eu



A minha sombra sou eu,

ela não me segue,

eu estou na minha sombra

e não vou em mim.

Sombra de mim que recebo a luz,

sombra atrelada ao que eu nasci,

distância imutável de minha sombra a mim,

toco-me e não me atinjo,

só sei do que seria

se de minha sombra chegasse a mim.

Passa-se tudo em seguir-me

e finjo que sou eu que sigo,

finjo que sou eu que vou

e não que me persigo.

Faço por confundir a minha sombra comigo:

estou sempre às portas da vida,

sempre lá, sempre às portas de mim!





Almada Negreiros