“A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam.”
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Auguste Rodin
Nascido e criado em Stephenville, Texas área, San Yeates graduou North Texas State University com um BFA em Desenho e Pintura, em 1974. Depois de ensinar em uma escola particular em Dallas por aproximadamente um ano, Yeates mudou-se para Austin, e logo começou a trabalhar no mundo Armadillo sede, uma sala de concertos de música. Cartazes promovendo shows seguidos e levou a arte promocional para a Lone Star Beer durante a década de 80. Através deste meio, a arte de Yeates viajou ao redor do mundo. Através dos anos, ele continuou a pintar e mostrar seu trabalho no São Francisco, Dallas, Austin e áreas de Taos.
O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação
o peso
o peso que carregamos
é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -
sai para fora do coração
ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
é o amor,
mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.
Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo
quando negado:
o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.
Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.
Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio
Allen Ginsberg
Irwin Allen Ginsberg, nasceu em Newark, Nova Jersey aos 3 de junho de 1926 e morreu em 5 de abril de 1997. Foi um poeta americano da geração beat, que ficou conhecido pelo seu livro de poesia Howl (1956).
Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade. Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, filósofos de almas selvagens (entre eles Jack Kerouac), obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas, freqüentando bares gays em Greenwich Village e vivendo seus affairs homossexuais.
Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou em tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, ele já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Ele ganhou popularidade a partir de 1955, com o seu poema Howl (considerado por muitos, obsceno e pornográfico, assim como o seu autor...). Howl foi seguido por vários outros poemas importantes, como Kaddish, onde ele faz uma espécie de auto-exorcismo, escrevendo sobre a loucura e morte de sua mãe. Por esse período, Ginsberg viaja o mundo, descobre o budismo e se apaixona por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro por 30 anos, embora sua relação não fosse monógama.
No início dos anos 60, enquanto sua celebridade crescia, ele se lança na cena hippie, ajuda Timothy Leary a divulgar o psicodélico LSD e participa de uma lista incrivelmente grande de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde ele é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM. Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietnã na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o guru tibetano Rinpoche, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve sua agenda social ativa até a sua morte, em 5 de abril de 1997, em Nova Iorque.
Ginsberg tinha muitos fãs, entre eles Jim Morrison, do grupo The Doors. Morrison era tão viciado nas poesias e obras dele que dizia escrever suas músicas após ter lido algum de seus poemas. Sabe-se que Ginsberg e a banda The Clash eram fãs recíprocos. O poeta fez uma participação especial na música Ghetto Defendant, cantando ao lado de Joe Strummer trechos de um de seus poemas. Ian Astbury, lider da banda The Cult e amigo pessoal dos músicos dos The Clash, que recitava Howl no inicio dos shows, é um grande propagador da obra de Ginsberg, ao qual dedicou a música Bodihsatwa, do seu album solo Cream, que fala sobre zen-budismo e poetas beat.
PRIMEIRA FESTA NA CASA DE KEN KESEY COM OS HELL'S ANGELS
Negra fria noite atravessa rubro bosque
carros dormem lá fora na sombra
atrás do portão, estrelas se apagam sobre
o barranco, arde o fogo perto da varanda,
e em jaquetas de couro preto
algumas almas cansadas se curvam. Na imensa
casa de madeira, um lustre amarelo,
às 3 da manhã o estouro dos alto-falantes
hi-fi Rolling Stones Ray Charles Beatles
Jumping Joe Jackson e 20 jovens
se contorcem ao som que vibra pela sala,
um pouco de erva no banheiro, garotas em malha cor de sangue
um homem maciço e macio sua nessa dança sem fim
latas de cerveja atiradas no quintal,
a figura de um enforcado pende de um galho sobre o riacho,
crianças dormem mansas em beliches. E, além do portão, 4 patrulhas estacionadas,
luzes vermelhas revolvem nas folhas.
Desde quando mudamos transamos conversamos trabalhamos
choramos e mijamos juntos
eu acordo pela manhã
com um sonho nos meus olhos
mas você partiu para NY
lembrando-se de mim Bom
eu te amo eu te amo
e teus irmãos são loucos
eu aceito seus casos de bebedeira
Há muito tempo tenho estado só há muito tempo tenho estado na cama
sem ninguém a quem pegar no joelho, homem
ou mulher, tanto faz, eu
quero o amor, nasci para isso quero você comigo agora
Transatlânticos fervem no oceano
Delicados esqueletos de arranha-céus não terminados
A cauda do dirigível roncando sobre Lakehurst
Seis mulheres nuas dançando juntas num palco vermelho
As folhas agora estão verdes em todas as árvores de Paris
Chegarei em casa daqui a dois meses e olharei nos teus olhos
Estou feliz, Kerouac, seu louco Allen
finalmente conseguiu: achou um cara novo
e minha imagem de um garoto eterno
passeia pelas ruas de San Francisco,
lindo, e me encontrar nas cafeterias
e me ama. Ah, não pense que estou maluco.
Você está zangado comigo. Pelos meus amantes?
É duro comer merda, sem ter visões;
quando eles me olham, para mim é o Paraíso.
Vachel, as estrelas se apagaram
a escuridão caiu na estrada do Colorado
um automóvel rasteja lento na planície
pelo rádio ressoa o clangor do jazz na penumbra
o inconsolável caixeiro viajante acende mais um cigarro
Há 27 anos em outra cidade
eu vejo sua sombra na parede
você de suspensórios sentado na cama
a mão de sombra encosta uma pistola em sua cabeça
seu vulto cai no assoalho
Porque eu me deito
sobre este leito,
Porque eu choro
numa sala sepultada Porque meu coração
naufraga Por causa dessa
minha graça
de pança e seus
suaves suspiros -
conhecido
soluçar de meu seio
serenado pelo
toque - Porque eu me assusto - Porque ergo a minha
voz e canto
ao meu eu amado - Porque vos amo sim
meu querido,
meu outro, minha
noiva viva
meu amigo, amo antigo
de suaves olhos - Porque pertenço ao
Poder da vida e não
posso fazer nada
senão ceder à
sensação de ser um
Perdido
Correndo ainda atrás da
excitação - gozo
delicioso do
coração abdômen quadris
e coxas
Sem recusar meus
38a. 65kg de cabeça
tronco e membros
Nem nenhumazinha de minhas
unhas Whitmaníacas
Nem banir meus cabelos
pro inferno eterno, Porque sob este manto mecânico
Confesso meu desejo inconfessável.
Para onde Oh América
é que guias o teu
glorioso automóvel,
a que acidentes te inclinas
rodovia abaixo,
nos profundos canyons
das Montanhas do Oeste,
acelerando ao sol-se-pondo
sobre o Golden Gate
no rastro de que rusga
atiras o teu jazz
sobre o oceano Pacífico!
Gentis nos faz a morte; a dor que mata
a besta abate o hostil orgulho do destino
de saúde e desatino
Morta a besta, sua alma está liberta.
Um poeta na companhia de santos,
você deita e esconde o fumo que bafora.
Como num sonho conhecido: você,
exausto do hospital da vida,
conheceu a enfermidade eterna.
Não desejo,
Jack, que você melhore, pois há sempre
uma ferida; cujo corte mais profundo
é a consciência fútil da espera
vaidosa pela sua felicidade
Minha proposta, ao criar este espaço, é conviver com pessoas que, como eu, apreciam e se nutrem na boa arte. Juntar, a cada sessão de postagens, um artista plástico e um poeta, emoldurados por uma música envolvente, é uma forma de estimular os sentidos. Todos os dias precisamos nos alimentar e descansar. A arte nos ajuda nisso e refina nosso espírito. Sou filósofa por formação acadêmica e me agrada muito a estética da arte. A Fada do Mar Suave, como título, é uma personagem que me permite ficar no mundo dos sonhos, e não precisa ser relacionada com a imagem física de uma pessoa.
A Fada do Mar Suave circula pelo Orkut há bem uns dez anos e este blog surgiu em janeiro de 2009. Formalmente, o site WWW.fadadomarsuave.com.br se encarrega de sustentar o registro legal do nome e, de forma prática, reendereça todos os visitantes para este blog, http://fadasuave.blogspot.com . Não tenho equipe, trabalho sozinha e quem quiser fazer qualquer observação, é só deixar mensagem.
Agradeço aos artistas e poetas, que autorizam nossas postagens.
Com amor,
Fada do Mar Suave
São Paulo, SP, Brasil
Este blog não tem nenhuma finalidade comercial. Todos os textos e imagens são retirados da internet, com menção dos créditos originais e, quando possível, com autorização dos autores. Em caso de dúvida sobre a origem de qualquer peça, ou caso seja exigida alguma autorização especial para utilização do material selecionado, favor comunicar diretamente ao blog Fada do Mar Suave, pelo e-mail tekinha.caroli30@gmail.com