Karol Bak







Momento Um


Desnudo a beleza
para que a fantasia comece a florir

Há corpos
que têm a cor do amanhecer
sentados sobre cadeiras envelhecidas

Há carne
palavras surdas
e dedos bruscos de tempo

Há enlaces
de múltiplos desejos
e no espaço íntimo
que consome os corpos sem roupas de exílio
fica o perfume tímido do sonho


António Sem

Karol Bak





Poema por Ti


No espaço do meu corpo
há um cheiro de maça verde
e eu habituei-me
a esperar-te inteira
à beira do tempo
enquanto as esquinas
se dobram de espanto

Tu és a certeza nesta viagem
pelo amanhecer tranquilo
em que a madrugada se despe
das palavras quietas que cheiram a ti

Eu sou a incerteza
da partida que sabe a desejo


António Sem

Karol Bak


Karol Bak

Karol Bak nasceu em 1961 em Kolo, Polônia. Estudou na Academia de Artes em Poznan, formando-se em 1989. Já participou de 17 exposições individuais e 10 coletivas. Bak pinta óleo sobre tela, frequentemente conduzindo vários trabalhos ao mesmo tempo. Suas criações são realistas, com muitas imagens figurativas inspiradas na mitologia.


Contato
Atelier: Dąbrowki st. 3,
Poznań POLAND

www.karolbak.com
atelier@karolbak.art.pl
karolbak@o2.pl







Esta Noite



Esta noite
no silêncio destas paredes sombrias
cheias de palavras consumidas
a lua dança com gestos de encantamento
e as estrelas sorriem de prazer

Esta noite
invento-te nesta distância magoada
onde as palavras repousam
nos lábios ausentes que riem e se alimentam
de sabores sonhados

Esta noite
arde uma fogueira de nostalgia
e o mistério absorvente da tua luz
entra em mim mansamente

Aqui
longe de ti e de tudo
sinto-me bem dentro de ti
e deixo-me ficar

António Sem


António Sem

Pseudônimo de António M. G. Filipe nasceu em Algueirão, Portugal.  Artista Plástico, poeta, jornalista trabalhou também com publicidade, literatura e decoração. É Acadêmico de Mérito da Academia de artes e Letras de Pontzen, Nápoles.

ATELIER

Rua de Macau, 52 - 6º. Esq.
2780-019 Oeiras
Portugal

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Chris Achilleos







Chris Achilleos





LEMBRANÇAS


A revolução
                        que nunca veio
segue adormecida
                                  em um canto
amarelado de lembranças

Enquanto isso,
                           sonhamos
com a cadeira de balanço
                                                no domingo

Roberto Queiroz

Chris Achilleos







DE DENTRO PARA FORA


As janelas mudam,
                                   é claro
As nuvens passam,
                                   diz o vento
A janela é uma TV,
                                  de dentro para fora
E eu viro um personagem
                                                de folhetim
Longe
Separado
                   da realidade
Por uma persiana
                                 e uma grade

Roberto Queiroz

Chris Achilleos







NÃO É MAIS


A vida não é mais
                                 como era antes
Eu não posso mais
                                  como podia jovem
E nem faço mais
                               como fazia dantes

Mas tenho paz
                            como não tinha antes
E sinto força
                        onde não havia antes
Por aprender a buscar
No olhar de uma criança
                                              que não havia antes

Roberto Queiroz

Chris Achilleos





RELÓGIO


Por dentro do relógio
                                        o tempo gira
mecanicamente
na velocidade modorrenta
                                                 dos ponteiros

Por  fora do relógio
                                    o tempo corre
desesperadamente
na velocidade alucinante
                                               dos acontecimentos

Roberto Queiroz

Chris Achilleos





SILÊNCIO


Na madrugada,
                              velha companheira
o silêncio me ensurdece
beirando a tristeza
                                   e a sonolência

Os sons da consciência
                                          me envolvem
como o barulho dos ponteiros
                                                        de um relógio

Roberto Queiroz

Chris Achilleos






TEMPO

O teempo paaassa,
                                    gritava o locutor
O tempo passa depressa, filho,
                                                dizia meu pai
           O tempo era ideal
Um tempo de ideais,
                                 bem antes
Do tempo de descrença,
                                       na maturidade
Bom tempo
           Tempo bom, mínima 18
                    máxima 24...        

                                         Roberto Queiroz