EDGAR MENDOZA MANCILLAS
Começou a pintar em 1989 em Durango, México. A Escola de Pintura de Durango existe desde a década de cinquenta, fundada por Francisco Montoya de la Cruz, pintor do movimento muralista mexicano, que formou oficinas de Pintura, Escultura, Gravação e Artesanato. Quando chegou, Montoya estava para se aposentar, a época de ouro havia acabado faz tempo, e as oficinas estavam praticamente esquecidas. Apenas três Mestres mantinham o entusiasmo em suas aulas: Donato Martínez, um veterano escultor, co-fundador, com Montoya de la Cruz. Marcos Martínez Velarde, encarregado da oficina de Desenho e Modelagem, que fazia os alunos trabalhar incansavelmente em um modelo; e o mestre Guillermo Bravo Morán, que havia estado na grande equipe de David Alfaro Siqueiros em Cuernavaca, Morelos, um dos três pilares do Muralismo Mexicano, único movimento artístico contemporâneo pelo qual o México é conhecido no mundo. Atualmente, vive em Alicante, Espanha.
Este artista mexicano demonstra através de sua arte uma habilidade descomunal em retratar figuras humanas hiperrealistas, cria uma identidade muito interessante de arte acadêmica conceitual e surreal, conseguindo assim uma fórmula muito bem elaborada e de difícil manuseio, além de fortes pinceladas de sua visão política e sócio-econômica. Mancillas é criador de composições belíssimas, de equilíbrio incontestável, que destacam um incrível trabalho de claro e escuro, carregando uma enorme harmonia cromática.
Dia
De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
És a duração,
o tempo que amadurece
num instante enorme, diáfano:
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.
E flutuo, já sem mim, pura existência.
Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli
Octavio Paz Lozano Nasceu na Cidade do México em 31 de Março de 1914 e faleceu em 19 de Abril de 1998. Foi um poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano, notabilizado, principalmente, por seu trabalho prático e teórico no campo da poesia moderna ou de vanguarda. Recebeu o Nobel de Literatura de 1990. Escritor prolífico cuja obra abarcou vários gêneros, é considerado um dos maiores escritores do século XX e um dos grandes poetas hispânicos de todos os tempos.
Passou a infância nos Estados Unidos, acompanhando a família. De volta ao seu país, estudou direito na Universidade Nacional Autônoma do México. Cursou também especialização em literatura. Morou na Espanha, onde conviveu com diversos intelectuais. Viveu também em Paris, no Japão e na Índia.
Em 1945, ingressou no serviço diplomático mexicano. Quando morava em Paris, testemunhou e viveu o movimento surrealista, sofrendo grande influência de André Breton, de quem foi amigo. Em sua criação, experimentou a escrita automática, tendo praticado posteriormente uma poesia ainda vanguardista, porém mais concisa e objetiva voltada a um uso mais preciso da função poética da linguagem.
Publicou mais de vinte livros de poesia e incontáveis ensaios de literatura, arte, cultura e política, desde Luna Silvestre, seu primeiro livro, de 1933.