Saturno Butto








Menos valia


A vida por vezes repousa em mim como lança
Tudo nebuloso e sujo
Por pouco sou empurrado para a cova de suínos
Corro atrás de equinos
Caio em fuga como os felinos
Bajulo como todos os caninos

Triste é o momento da percepção da fragilidade
Neste momento vai longe o que chamam de felicidade
A garganta se fecha em gelo
Os ouvidos se afinam
A boca fica amarga
E o cheiro insuportável de gente enoja

São momentos de percepção
Acontecimentos que amarram em nó o coração
É a vez da alma ir embora
A beleza da vida fica sem cor
A certeza da inexistência do amor toma força
E a vida revela faces ocultas que desconheço

Nestas horas não vejo como devo
Assisto a vida tal como ela é
Cheia de relações contraditórias e obscuras
Fumaça ao vento, poeira em pó
Uma dor de cabeça cor de laranja
E um sentimento de que nada vale à pena.


Lúcio Alves de Barros


2 comentários:

Osvaldo Heinze disse...

Belíssimos trabalhos em tintas para telas e letras que mostram nua e cruamente a realidade escondida da realidade. Eis que os panos se rasgam e os mundos se encontram.

Fada do Mar Suave disse...

Lúcio, sempre uma alegria postar suas poesias que são profundas e tocam tanto nossas almas. Adoro trabalhar com você!
A todos os amigos que aqui passaram, o meu agradecimento e o meu desejo de tê-los sempre perto, deixando suas mensagens, para que a cada dia, este espaço fique mais belo e suave.

Com amor da Fada do Mar Suave.