Tomasz Rut










EXISTENCIAL

ao redor não me vejo
percorro com chão de pés
descalços
à procura de um clarão

( eu cheguei a te conhecer?)

eu fiquei à tua beira
dentro de casulos
enluarados
tão distante entre-mundos

(porque aquilo que vejo
já não sinto
e aquilo que quero
já não mais percebo
e quando desperto
nada me chega
porque de tão sôfrega
aquilo que ouço é longe)

talvez não vai fazer sentido
mesmo quando a lua vai-se embora
e apaga a luz da noite

e eu fico assim
entre-mundos

                              
                      (quando foi que eu te disse que não ficaria?)

eu parti
como se partem pedaços
de gente
sem sinal à frente.

Ana Paula Perissé



4 comentários:

HELOISA AZINARI disse...

arte de Tomaz Rut, denota amor ardente e uma carencia lancinante, competada perfeitamente com a delicadeza dos versos de Perisse

Getúlio Augusto Franco disse...

Simplesmente delirante! Parabéns, poeta Ana Paula, artista Tomasz Rut e a você Fada do Mar, que como ninguém formata beleza e poesia! Bravo!!!

AC disse...

Sensibilidade, mas também muita procura, é o que eu respiro por aqui. E respira-se bem, diga-se.

Bj

Fada do Mar Suave disse...

Querida poeta Ana Paula Perissé
Como é bom postar suas poesias para que todos que aqui passam possam usufruir destes maravilhosos sentimentos tão bem colocados por você. Sua poesia toca tão profundamente nossa alma que deixa-nos extasiados e nos levam a reflexões sobre nossas existências. Agradeço sempre sua amizade que amo e respeito. A arte de Tomasz Rut ficou divina com seus escritos e a ele agradeço pela beleza que nos surpreendeu e encantou.
A todos os amigos meus agradecimentos, voltem sempre, e o meu desejo de muita paz e alegria em suas vidas.
Com muito amor da Fada do Mar Suave.