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Pino (Giuseppe Dangelico)
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Gaiô
Pino (Giuseppe Dangelico)
É Encantador Viver!
É encantador viver!
Dia após dia, na sequência da lida,
mente flui na experiência vivida.
Trago pro hoje, sonhos tecidos no ontem,
esperança de seda e organza
embarcada na recriada dança, na fonte.
Amadurece o ritmo oculto do tempo.
No seu cerne carrega
anseio eterno, que enternece...
E quem vejo no espelho,
me devolve o olhar, se reconhece,
no viver transitório,
no amado que aquece...
E me encanta o milagre,
no mistério...
O sagrado celebro!
Gaiô
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Olga Oreshnikov
Amargo Cansaço
Em homenagem a Fernando Pessoa e das muitas lembranças de seu "Poema em Linha Reta”
Esqueci do trabalho no dia de hoje
Esqueci mesmo...
Estava cansado e me atrapalhei com o tempo sujo
Me perdi no espaço nojento da vida
Um mal-estar invadiu minha alma atrapalhada
Uma náusea misturou a vida, espancando meu peito, meu jeito...
A culpa tomou meu espírito e pensei em Deus
Triste é o fim daqueles que são cobrados pelo trabalho
Horrorizado devido a incompetência da voz alheia
Que vomita palavras levianas sem saber dos acontecimentos
Sinto a culpa e a incompetência lúgubre de um corpo sem movimento
E por pouco não assassino o que resta de responsável em mim
A infelicidade faz parte de minha simples vida de ser humano
As cobranças não param e tal como as correntes do mar, aparecem mais fortes à noite
Sacudido pelo vento da perseverança, a mente dispara a adrenalina no corpo frágil
Corpo que trabalhar não foi. Estava cansado... arrebentado...
Mas os bípedes humanos não nutrem a compaixão
As organizações desejam resultados efêmeros e de pouca serventia
Acobertadas pelo manto da hiper-realidade pregam o nosso tendão
Esbofeteados pela vida, os seres humanos se apegam como se cachorros fossem...
Perdemos a capacidade de sentir pelo outro. Esquecemos a humanidade.
Não podemos errar? Não devemos demonstrar nossa vulnerabilidade? Onde estão os seres humanos?
É disso que é feito a vida? Faz sentido andar em linha reta?
Triste fim de mais um "Policarpo Quaresma" (Lima Barreto).
Lúcio Alves de Barros
Poeta
Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte/MG – Brasil
* Lúcio Alves de Barros é licenciado e bacharel em Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia e doutor em Ciências Humanas: Sociologia e Política pela UFMG. É autor do livro “Fordismo: origens e metamorfoses”. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba), 2004, organizador do livro “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006, co-autor do livro de poesias, “Das emoções frágeis e efêmeras”. Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006 e organizador da obra “Mulher, política e sociedade”. Brumadinho: Ed. ASA, 2009.
Lúcio Alves de Barros
Publicado no Recanto das Letras em 13/09/2009
Código do texto: T1808312
Código do texto: T1808312
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Artista Plástica
Olga Oreshnikov nasceu em St. Petersburg, Russia.
Formada pela renomada Art Academy of St. Petersburg, pretence à terceira geração de Victor Michailovich Oreshnikov, que dirigiu a Academia por cerca de 25 anos. Olga exibe seus trabalhos com frequência na Inglaterra, Estados Unidos e Israel e seus trabalhos estão expostos em museus e galerias.
Formada pela renomada Art Academy of St. Petersburg, pretence à terceira geração de Victor Michailovich Oreshnikov, que dirigiu a Academia por cerca de 25 anos. Olga exibe seus trabalhos com frequência na Inglaterra, Estados Unidos e Israel e seus trabalhos estão expostos em museus e galerias.
Contato
Mail address: ANIAM12495, Israel
Phone: 00-972-4-6921934
Fax: 00-972-4-6921020
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E-mail: olga@studioart.co.il
E-mail: hn_or@yahoo.co.il
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Lúcio Aves de Barros
Olga Oreshnikov
Demora cinza
Demorei três horas para beijar os lábios dela
Faltou-me tempo para contar os fios do belo cabelo
Como faltou tempo resolvi penteá-los
Pensei nas montanhas de Minas
Nos cabelos de cachoeira
Comecei a contar os poros dos seus seios
Verificar as curvas que esconde
A grande anca que sustenta
O sorriso aberto e largo que me oferece
E implorei para dormir em sua nuca
Ali encontrei a gruta em paz
Fiquei quietinho esperando o tempo macabro passar
Até que pensei em dormir para sempre
Acordei morrendo na manhã cinza do inverno que se aproxima
O tempo, meu maior inimigo, passou
Ela novamente beijou minha testa triste
Fechou a porta, tapou a nuca
E tive que enfrentar a humanidade,
a finitude e a podridão que é este mundo dos bípedes humanos
Faltou-me tempo para contar os fios do belo cabelo
Como faltou tempo resolvi penteá-los
Pensei nas montanhas de Minas
Nos cabelos de cachoeira
Comecei a contar os poros dos seus seios
Verificar as curvas que esconde
A grande anca que sustenta
O sorriso aberto e largo que me oferece
E implorei para dormir em sua nuca
Ali encontrei a gruta em paz
Fiquei quietinho esperando o tempo macabro passar
Até que pensei em dormir para sempre
Acordei morrendo na manhã cinza do inverno que se aproxima
O tempo, meu maior inimigo, passou
Ela novamente beijou minha testa triste
Fechou a porta, tapou a nuca
E tive que enfrentar a humanidade,
a finitude e a podridão que é este mundo dos bípedes humanos
Lúcio Alves de Barros
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Olga Oreshnikov
O sorriso em movimento
O sorriso de esmeraldas teima em não se abrir no interior do coletivo.
Vítima dos solavancos sem fim, a bela se apega às janelas que passam.
O perfil tenso e forte paulatinamente se rende aos largos lábios que abrem
Brincos cintilantes balançam conforme o repousar das rodas grandes do veículo
A multidão cega se aglomera e dá de costas ao belo sorriso que ilumina o ônibus
Aos poucos, os cegos viajantes vão deixando o navio, um após o outro.
Ponto a ponto desce mais um do navio negreiro entupido de gente
O próximo ponto parece ser o dela
Com pés finamente fincados no corredor, ela se contorce entre os que bloqueiam sua passagem
Aperta os olhos e os lábios, outrora abertos e em luz,
Puxa a cordinha azul e novamente as pérolas se abrem
Decidida vai colocando finamente o corpo diante dos que estão frente ao seu.
Delicadamente vai descendo, apega-se ao corrimão e um degrau após outro se vai...
Tal como a brisa da manhã que acorda minha saudade.
Vítima dos solavancos sem fim, a bela se apega às janelas que passam.
O perfil tenso e forte paulatinamente se rende aos largos lábios que abrem
Brincos cintilantes balançam conforme o repousar das rodas grandes do veículo
A multidão cega se aglomera e dá de costas ao belo sorriso que ilumina o ônibus
Aos poucos, os cegos viajantes vão deixando o navio, um após o outro.
Ponto a ponto desce mais um do navio negreiro entupido de gente
O próximo ponto parece ser o dela
Com pés finamente fincados no corredor, ela se contorce entre os que bloqueiam sua passagem
Aperta os olhos e os lábios, outrora abertos e em luz,
Puxa a cordinha azul e novamente as pérolas se abrem
Decidida vai colocando finamente o corpo diante dos que estão frente ao seu.
Delicadamente vai descendo, apega-se ao corrimão e um degrau após outro se vai...
Tal como a brisa da manhã que acorda minha saudade.
Lúcio Alves de Barros
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Olga Oreshnikov
Da insignificância de minha vida
“É tão belo como um sim / numa sala negativa.
... Belo por que é uma porta / abrindo-se em mais saídas...”.
(João Cabral de Melo Neto)
... Belo por que é uma porta / abrindo-se em mais saídas...”.
(João Cabral de Melo Neto)
Desejo ser um poeta como Pablo Neruda
Quero sentir a humanidade de Álvares de Azevedo
Escrever com sangue tal como Clarice Lispector
Delicadamente como Cecília Meireles e Ferreira Gullar
Sensivelmente como Cora Coralina
Amar como Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes
Se entregar como Camilo Castelo Branco
Sofrer na alma como Augusto dos Anjos
Falar como Gregório de Matos
Instigar como Adélia Prado
Ver como Fernando Pessoa e Mário Quintana
Atingir o estômago como faz Florbela Espanca
Sujar as mãos como Bertold Brecht
Limpar a alma como Dostoievski, Sartre ou Camus
Morrer como Murilo Mendes
Viver como Chico Buarque
Descrever como Euclides da Cunha
Enlouquecer como Lima Barreto
Elucidar como Machado de Assis
Tornar-me íntegro como Gilberto Freyre e Florestan Fernandes
Otimista como Adriano Suassuna e Darcy Ribeiro
Ser incansável como João Guimarães Rosa e Graciliano Ramos
Realista como Castro Alves e João Cabral de Melo Neto
Tocar como Tom Jobim
Cantar como Elis Regina...
Diante de tanta divindade... é belo ser insignificante.
Lúcio Alves de Barros
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Olga Oreshnikov
Assanhadinha
Lá estava ela, toda danadinha
Cabelos de cachoeira ao vento andava toda soltinha
Era bonitinha, meio gordinha e fofinha
Mas estava meio doidinha
Apaixonada e maravilhada
Ficou animada, pois amada sentiu-se superestimada
Ardia de desejo que se torturava
Em meio aos homens sua pele flor de janela exalava.
Preocupada e desejada
Ficou apaixonada e desesperada
Cheia de amor não percebeu que por um anjo foi fisgada
Enamorada, aproveitou a chance deseducada
Com João, ela gritou e gemeu
Muito mais animada e feliz, fez e aconteceu
Em um belo dia de lua morna, a virgem disse que nada doeu.
E no final da madrugada. Deus, a ela e a ele, conheceu.
Assanhadinha com o tempo logo cresceu
Educada e alinhada, ao João, o pai conheceu
Com o tempo pensou que o mundo a esqueceu
Após o nascimento da filhinha, Assanhadinha entristeceu.
Pensou que o amor sustentaria a barriga que desenvolveu
Com o passar dos dias João enlouqueceu
Ela sentiu que um novo amor apareceu
A sua filha linda, de olhos claros, nela reacendeu.
Hoje ela trabalha, estuda e, longe do amado, pouco descansa
A pele anda seca e o belo cabelo cortado revela que a vida não é mansa
Jovem e adulta a bela cultiva a perseverança
A sua filha, o maior amor da sua vida, deu o nome de esperança.
Cabelos de cachoeira ao vento andava toda soltinha
Era bonitinha, meio gordinha e fofinha
Mas estava meio doidinha
Apaixonada e maravilhada
Ficou animada, pois amada sentiu-se superestimada
Ardia de desejo que se torturava
Em meio aos homens sua pele flor de janela exalava.
Preocupada e desejada
Ficou apaixonada e desesperada
Cheia de amor não percebeu que por um anjo foi fisgada
Enamorada, aproveitou a chance deseducada
Com João, ela gritou e gemeu
Muito mais animada e feliz, fez e aconteceu
Em um belo dia de lua morna, a virgem disse que nada doeu.
E no final da madrugada. Deus, a ela e a ele, conheceu.
Assanhadinha com o tempo logo cresceu
Educada e alinhada, ao João, o pai conheceu
Com o tempo pensou que o mundo a esqueceu
Após o nascimento da filhinha, Assanhadinha entristeceu.
Pensou que o amor sustentaria a barriga que desenvolveu
Com o passar dos dias João enlouqueceu
Ela sentiu que um novo amor apareceu
A sua filha linda, de olhos claros, nela reacendeu.
Hoje ela trabalha, estuda e, longe do amado, pouco descansa
A pele anda seca e o belo cabelo cortado revela que a vida não é mansa
Jovem e adulta a bela cultiva a perseverança
A sua filha, o maior amor da sua vida, deu o nome de esperança.
Lúcio Alves de Barros
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