Orlando Hernández Yanes








Desencanto


Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.


Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.


E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.


- Eu faço versos como quem morre.


Manuel Bandeira

5 comentários:

Grêmio - IMORTAL sempre disse...

Este post é demais. Grandes talentos.

katerine-zucon disse...

Extraordinário! Mexe com todos os sentimentos. Estou emocionada.

Vina disse...

Faço versos como quem chora...
Quanta emoção estou sentindo, mas paro neste post e choro. Matizes azuis em movimentos elegantes e sentidos, como se a fuga fosse a saída.Uma perfeição de arte e poesia digna de todos os méritos existentes. A poesia completa a arte e a arte fala com a poesia.
Parabéns por transmitir magistralmente o Belo existêncial para seus amigos visitantes.

A dúvida da ovelha disse...

Fada do Mar estou sempre encantada com seu talento para o Belo. Parabéns pelo dom de formatar artes e poesias que traz um encanto especial. Que ele nunca lhe falte ânimo para nos proporcionar poéticas como estas... Abraços fraterno

Luis Paulo Mariano disse...

Surpreendente!