Jean-Baptiste Valadie

 

  

  

  

  



SAUDAÇÃO SEGUNDA




Fostes louvados, meus livros,
          
porque eu acabara de chegar do interior;
Eu estava atrasado vinte anos
           e por isso encontrastes um público preparado.
Não vos renego,
           Não renegueis vossa progênie.



Aqui estão eles sem rebuscados artifícios,
Aqui estão eles sem nada de arcaico.
Observai a irritação geral:



"Então é isto", dizem eles, "o contra-senso
            que esperamos dos poetas?"
"Onde está o Pitoresco?"
            "Onde a vertigem da emoção?"
"Não ! O primeiro livro dele era melhor."
            "Pobre Coitado ! perdeu as ilusões."



Ide, pequenas canções nuas e impudentes,
Ide com um pé ligeiro!
(Ou com dois pés ligeiros, se quiserdes!)
Ide e dançai despudoradamente!
Ide com travessuras impertinentes!



Cumprimentai os graves, os indigestos,
Saudai-os pondo a língua para fora.
Aqui estão vossos guizos, vossos confetti.
Ide! rejuvenescei as coisas !
Rejuvenescei até The Spectator.
          Ide com vaias e assobios!



Dançai a dança do phallus
          contai anedotas de Cibele!
Falai da conduta indecorosa dos Deuses!



Levantai as saias das pudicas,
         
falai de seus joelhos e tornozelos.
Mas, sobretudo, ide às pessoas práticas -
Dizei-lhes que não trabalhais
          e que viverei eternamente.




EZRA POUND

(tradução de Mário Faustino)


Um comentário:

Batata disse...

Divina beleza, poesia e música.