Jean Bailly









Espelho do que sou

Não sei o porque de não gostar do espelho
Devo no fundo desse abismo me odiar
Talvez nada merecer
Conquistar

Vira e mexe um corvo teima em posar nos meus duros ombros
Fico meio de lado e as costas doem
Acabo me achando mais feio do que sou
E quebrar o espelho seria uma saída meio infantil

Dentro de mim eu grito
Um choro, por vezes, alto está no meu fígado
E uma trombeta gigante berra no meu peito
Que peso é esse que carrego?

Em qual parte de mim posso encontrar algo?
Não sei e não tenho ciência se desejo algo encontrar
Posso não reconhecer ou não gostar do que sou
E viver para sempre procurando-me nesse espelho.


Lúcio Alves de Barros

Um comentário:

Fada do Mar Suave disse...

Caros amigos,
sou-lhes imensamente grata pelos depoimentos deixados aqui para os artistas e também pela amizade sempre tão presente. São vocês que nos motivam a buscar cada vez mais o que há de melhor no mundo das artes.
A você Lúcio, um amigo tão querido que traz brilho para este espaço com suas poesias, agradeço de coração poder contar com você.
Que o Natal possar ser mágico
e o Ano Novo, cheio de emoções,
alegria, paz e muito amor.

Com muito carinho da Fada do Mar Suave.