Lauri Blank




Lauri Blank
Lauri Blank estava destinada a ser um espírito criativo com uma paixão incendiária pela arte. Criada por uma mãe artista, que cursou escola de design em New York, e avós que são músicos ainda em atividade (tem mais de 80 anos), Lauri esteve constantemente engajada pela criatividade e expressão artística, a fundação de uma futura carreira nas artes. 
Criança prodígio, ganhou prêmios desde os 7 anos, convite para expor desde os 12 e tornou-se modelo aos 14. Enquanto aparecia em capas de revistas, também cuidava de suas habilidades. Experimentando coisas novas, tornou-se estilista de moda em Bogotá, na Colômbia. Lauri retornou aos EUA e abraçou a carreira de pintora em tempo integral. "Senti a necessidade de criar algo novo todo dia, fosse uma pintura, um design de interiores ou música clássica. Não seria possível fazer isso em moda porque, depois do sucesso, o negócio se tornava cada vez mais produção e cada vez menos criatividade”, afirmou.
Blank descobriu-se naturalmente atraída pelo imaginário de complexidades da forma humana. Ela focava especialmente na forma feminina, aprendendo a capturar sua própria essência em tela. Sem a inibição do treinamento formal ou convencional, seu talento adquiriu vida própria. O apelo de sua arte é atemporal. A artista não utilize modelos vivos, valendo-se apenas de sua imaginação. Chama seu estilo de figurativismo romântico.



http://blankstudio.com/index.html







Espelho do que sou

Não sei o porque de não gostar do espelho
Devo no fundo desse abismo me odiar
Talvez nada merecer
Conquistar

Vira e mexe um corvo teima em posar nos meus duros ombros
Fico meio de lado e as costas doem
Acabo me achando mais feio do que sou
E quebrar o espelho seria uma saída meio infantil

Dentro de mim eu grito
Um choro, por vezes, alto está no meu fígado
E uma trombeta gigante berra no meu peito
Que peso é esse que carrego?

Em qual parte de mim posso encontrar algo?
Não sei e não tenho ciência se desejo algo encontrar
Posso não reconhecer ou não gostar do que sou
E viver para sempre procurando-me nesse espelho.


Lúcio Alves de Barros



Poeta

Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte/MG – Brasil

* Lúcio Alves de Barros é licenciado e bacharel em
Ciências Sociais pela UFJF, mestre em Sociologia e doutor
em Ciências Humanas: Sociologia e Política pela UFMG.
É autor do livro “Fordismo: origens e metamorfoses”.
Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP (Universidade Metodista
de Piracicaba), 2004, organizador do livro
 “Polícia em Movimento”. Belo Horizonte: Ed. ASPRA, 2006,
co-autor do livro de poesias, “Das emoções frágeis e efêmeras”.
Belo Horizonte: Ed. ASA, 2006 e organizador da obra
“Mulher, política e sociedade”. Brumadinho: Ed. ASA, 2009.

Lúcio Alves de Barros






Livro
Das emoções frágeis e efêmeras
Antônio Henrique Vilela
Lúcio Alves de Barros
2006

Arthur Braginsky

Arthur Braginsky









OS MACABROS, AOS DIABOS!


Fora: os macabros, os demônios, os diabos!
Dia de expulsar: as invejas, as malícias, todos ais.
Fora: usurpador, credor, devedor.
Dia de mandar, dia de limpar!

Dentro: os ingênuos, os puros, os felizes!
Dia de brincar: os anjos, as fadas, os tais.
Dentro: somador, trabalha dor, sonhador.
Dia de brincar, dia de sonhar!!


Kátia  Torres Negrisoli
In réstias

Arthur Braginsky









Eu encanto, lira tanto


E se eu estiver sentindo falta, irei!
E se estiver cansada, pararei...
Mas os teus olhos em brilho levarei,
Muito além do que possas imaginar.

O teu cansaço aliviarei, teu resgate farei..................
E se antes de tudo, o mais a dizer for o silêncio,
Inenarrável silêncio, em tua boca morrerei,
Deixarei o hálito envolver em longa aura de frescor.

Imantarei a pedra enrolada pedra,
que escorre em meles sutis e gentis.

Mais que tudo: a falta geme, o tido ladra, o frio salta, os olhos buscam a esfera.
A esfera sucinta inacreditável espera,
A manta calcada em pés, em fés e dizeres.

O teu prazer, o meu querer, muito mais que bem!

Kátia Torres Negrisoli

Arthur Braginsky











Br eu

A noite é breu.
A noite sou eu.
Noturna fresta.
Interna festa.

A noite eterna,
Ah, noite!
Amarela, rosada.
Espiralada, embasbacada.

Muita noite, pouco dia.
Muita fome, pouca alegria.
A espera uma esfera.
A medida uma menina.

A composê, matelassê;
Fio dourado, macramê.
Mas noite fica, noite torna.
Noite borda chão de estrelas.

Noite fica, espreita.
É noite apenas, noite do meu bem.


Kátia Torres Negrisoli

Arthur Braginsky








Eterno


Convido ao Eterno para retornar à partida.

Ao efêmero formas reduzidas.
Ao passageiro serestas funestas.
Alvissareiro digo ao além dos ares..............
Pinta-me de todas as cores, fugi do arco-íris, sou celeste sem forma.
Sou agreste, retorno.

Pinto as estrelas no espaço branco.
Prateio o pranto, brinco com o prato.
Lavo a mancheias, àquele que serpenteia.
Enfeito,louvo, rogo, engulo, permaneço e parto.


Kátia Torres Negrisoli

Arthur Braginsky








Apaixonada


Assim vibra o meu coração
Assim colho os pedaços encontrados
Assim remonto a cena,
Crio novo poema.

Encontro seu nome, apenas,
Soletro as letras pequenas,
Em sílabas reconstruo a frase,
Logo em cena a sua face.

E permaneço em seu nome mistério
A letra secreta e irreverente
Ágil, pertinente, de 100 anos
Assim quero acariciar mãos plenas
De amor, de cheiros molhados, de novos cuidados.

Dos meles dos olhos, os sutis desdobrados
Seu sobrecenho maduro, sua tez macia,
Seus dentes brilhantes, um homem, mar cante!


Kátia Torres Negrisoli

Arthur Braginsky









Ao cristalino distante


Amo... amo àquele que me vem e não conheço.
Amo aquele que me vem e não defino.
Amo este que me bate à porta e me traz a incerteza.
Amo sua doença, seu bem-estar, sua cor, sua tez, sua insensatez.
Amo quando entende minha impulsividade em tentar entender.
Inclusive, sua gesticulação e sobrecenho.


Amo a diferença, a falta de confiança e a dificuldade de estar ao lado.
Acima de tudo, amo esta vida que nos tracejou caminhos em comum
Amos seus olhos castanhos-brilhantes-lampejantes!
Amo seus escritos, sua contribuição à vida!
E esta que aparece em pequenos lampejos aos olhos do meu cristalino distante.

Eia, Terra errante, eia e avante! 
Somos grãos de areia, tu és grande enquanto partilhas, tu és o que me faltava nos dias desditos.
Obrigada!


Ao poeta escolhido dos dias!

Saúde e alegria!



Kátia Torres Negrisoli






Arthur Braginsky






d i a


Fiz os doces, reguei as plantas, colhi as amoras.
Enfeitei a mesa, tirei o pó, arrumei o armário.
Cozinhei, limpei, lavei, passei.
E o dia se foi, junto ao sol poente.
A noite veio e trouxe ar de melancolia e cansaço dormente.
Havia muito por fazer, a dor do pulso, a dor dos olhos, as olheiras.
O cansaço das tarefas, o curvado ombro, a face quieta.

A boca cansada das palavras todas ficou mais emudecida ainda.
Vieram as estrelas pintar o céu.
Veio a imaginação povoar o sonho.
Quem sabe um dia, quem sabe, lá no horizonte onde o Sol se põe mais cedo.
Uma rede, um coqueiro, um homem inteiro, uma mulher possa se despir sozinha.

Sem cobrir a parte mais íntima e dizer:
_Estou aqui!


Kátia Torres Negrisoli

Arthur Braginsky








A noite em vermelho*


A noite desce, a noite tem pressa...


A noite cresce, a noite entontece...

A noite fermenta, a noite!

A noite enlouquece, faz festa, quermesse!

A noite escama, implora e chama.

A noite incendeia, vagueia, clareia.

A noite estrela estrelas, cintila lua.

Na noite há cinzas e nuvens escondidas.

A noite é assim, misteriosa e calada.

A noite sem fim, do meu bem-amado.

A noite de mim, deixou-me assim:

... poeta discreta, amante in carmim!


Kátia Torres Negrisole

Arthur Braginsky








Doce festa!


Em dias de festa, corto o doce principal e bebo o vinho em taça genial.
Espero pelo café sem rum licor, a amêndoa e o chocolate pequeno,
ao lado da xícara teu sabor!

Em dias de festa, visto o brim, deito o cetim.
Na pequena boca o meu lábio teu carmim.
Vou serena e tranqüila e visito o altar das rosas.
Encontro lírios, beija-flores, o teu rosto sãos amores.

Em dias de festa, teço o manto e enrolo a seda canga em dorso.
Entorço o laço, entorse em tornozelo.
Carrego nos ombros o marrom de um dia inteiro,
Descarrego no champagne regado a morangos em cerejas martini vodka festival.

Não há anjo angelical, não há serestas, não há violas...
Há um povo festival.
Festas são primitivas dos encontros dos suores, dos rostos molhados da longa desdita, 

festas... que dias!!
Por isso não vou!


Kátia Torres Negrisoli

Arthur Braginsky








amor criança


Não sei mais segurar criança,
não sei mais segurar neném...
Mas em meu colo tenho a esperança, 
a felicidade e o contentamento.

Não sei ajeitar o pequeno,
Nem controlar os trejeitos...
Mas sei que amo àqueles
que estão junto ao meu peito.

Não tem jeito, 
amor sem fim é assim
Fiz trovinha ,
este versinho 
para mim, assim, assim...

Velho jardim...
em reforma!


Kátia Torres Negrisoli