Anke Merzbach












Inessencial



sinto um clarão

que me cega

à luz

da vida opaca

que procuro não levar



quero distância de mim

hoje

quero-me apenas

longe

no interstício daquilo que se foi

ou está para nascer



lucidez insana

a embalar-me

no vácuo das idéias



quero um papel repleto de versos

feios

estranhos

que incomodem a cegueira de quem vê...



um espelho distante do abismo



eu não vejo

tampouco sei

se vale a pena

continuar

em poética desvairada

inútil



estranho ritual



Inessencialidades me constituem

como existente inviável.




Ana Paula Perissé


Um comentário:

Fada do Mar Suave disse...

Ana Paula Perissé e Anke Merzbach

Mais uma vez agradeço a contribuição de vocês, grandes e amadas artistas, para o Blog, que trouxe luz e inteligência com sua poéticas, visual e escrita para nossos leitores.
Também agradeço de coração por ter embelezado e enriquecido este espaço que a todos agradam, pela gentileza de permitir o uso de suas imagens e poesias e principalmente por estar nos seguindo, o que é motivo de orgulho e felicidade para nosso grupo, que tem o intuito de levar o que há de melhor na arte e cultura para aqueles que aqui passam.
Todas as postagens deste blog é pesquisado, estudado com muito carinho para vocês que nos visitam e que com sua sensibilidade deixa o registro para os artistas.
Com muito carinho da Fada do Mar Suave.