




RÉQUIEM
(para Emilio Salem)
Porque não quis vê-lo:
Sem os gestos largos,
Sem o disfarce álacre,
Sem o riso, a voz
No seu alvo estático.
Sem doçura lúcida
Nos selados lábio,
Sem fabula ou cruz
Em exíguo espaço.
Porque não quis vê-lo
Já não ser gregário
Com seus olhos cegos
Compostura lassa.
Calmo mortuário
Em abismo claustro,
Peito estilhaçado,
Revestido estuque
Em paredes cavas.
Porque não quis vê-lo:
Da morte, operário
Vedando o infinito,
Levantando nadas
No incorreto oficio.
Silencio imantado
De gusano e cal
Com través, o punho,
O corpo, sem sal.
Porque não quis vê-lo...
Sem sua azagaia
De anjo em peleja
Contra humanas falhas;
Sem palavras cúmplices
Para seus dilemas
Ser despossuído.
Em vazio acesso
Do tempo, o anátema
Porque não quis vê-lo...
Myriam Coeli
Um comentário:
Lindo, lindo e lindo!!! Nota 1000.
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